09 de julho de 2026
Esportes

Pan 2007: Judô brilha com duas medalhas de ouro

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Rio de Janeiro- O judô brasileiro contemplou ontem todas as idades. Da novata Mayra Aguiar da Silva, 15 anos, à conhecida Edinanci Silva, 30, passando por Tiago Camilo, 25, e Luciano Corrêa, 24, todas as gerações da seleção fizeram bandeiras brasileiras tremularem no Riocentro. A maior surpresa foi a novata, ainda faixa marrom. Os dirigentes tinham dúvida de como seria a reação dela ao público.

“Mayra foi vice também no Campeonato Pan-Americano, realizado há pouco mais de um mês no Canadá. Tínhamos expectativa quanto à sua performance aqui, mas podia se abalar com o público, o que não aconteceu. Ela mostrou personalidade”, avaliou Ney Wilson, coordenador das seleções.

Sinalizando para as arquibancadas depois dos combates, a gaúcha mostrou até mais desenvoltura com a arena lotada que Edinanci, que tem o dobro de sua idade. Hoje, a paraibana entrou e saiu das lutas encapuzada e cabisbaixa, até garantir o ouro.

“Quis me isolar um pouco”, disse a meio-pesado. “A torcida ajuda bastante, mas acaba distraindo e há grandes atletas na América”, explicou ela, que dedicou seu título às famílias que perderam pessoas na tragédia de Congonhas.

“Nós, atletas, vivemos em aviões”, falou ela, que chorou durante a declaração. Rosicléia Campos, técnica da equipe feminina, atribuiu a uma mudança na preparação o sucesso de suas pupilas.

Os times masculino e feminino sempre participaram de treinamentos conjuntos. Convidada para assumir a função, a ex-judoca impôs como condição que a equipe cumprisse seu trabalho desatrelada da preparação do masculino.

“Era uma questão psicológica. Por mais que treinassem corretamente, sentia que as meninas carregavam um ar de derrota. E por um motivo óbvio: a comparação com os homens”, declarou Rosicléia.

Seu par no time masculino, Luis Shinohara, elogiou a performance de Tiago Camilo. “Ele é muito técnico. E soube fazer seu jogo”, falou, sobre a trajetória do campeão. Sobre Luciano Corrêa, o treinador apontou que o meio-pesado sentiu a pressão do público.

Nem dois minutos

Um minuto e 59 segundos. Esse foi o tempo total que o médio (até 90kg) Tiago Camilo levou para derrotar seus três adversários por ippon, nesta sexta-feira, e conquistar a medalha de ouro no primeiro Pan da sua carreira. Foi um verdadeiro show do judoca brasileiro, que nem competiu em sua categoria. Na primeira luta, Tiago Camilo precisou de 1m08 para derrotar do porto-riquenho Alexis Chiclana.

Depois, mais 20 segundos para bater o norte-americano Rick Hawn. E na final, venceu o cubano Jorge Benavides em apenas 31 segundos. “Estava em um dia mágico. Mas não foi fácil, pois eu lutei seis quilos abaixo do peso, o que é bastante coisa”, admitiu Tiago Camilo, que substituiu Carlos Honorato, fora de forma, na categoria até 90kg - sua original é até 81kg.

Depois de conquistar a medalha de prata na Olimpíada de Sydney, em 2000, Tiago Camilo sofreu contusões em série, as quais quer esquecer. “Tive de fazer uma cirurgia no joelho que deu infecção e me tirou do judô por um ano. Mas não quero lembrar disso agora. Quero falar de coisas boas”, avisou.