01 de abril de 2026
Saúde

Podologia e as novas tecnologias aliviam os pés

Daiana Dalfito
| Tempo de leitura: 4 min

Aperta o dedinho ou o dedão, arranha o calcanhar. Uuuiii... Para terminar o amortecimento não é bom ou a sola é lisa e os materiais de forramento mantêm os pés úmidos e, muitas vezes, com aquele odor desagradável. Essa era de tortura aos pés começa a ter seus dias contados.

Cada vez mais as empresas calçadistas investem em tecnologia para aumentar o conforto, a beleza e a durabilidade de seus produtos. Os sapatos em couro recebem novos tratamentos das matérias-primas e os materiais que revestem os interiores das peças primam pelo ‘conforto térmico’. “A forração dos sapatos em P. U. aumenta a troca de calor e a umidade do pé com o meio externo, ampliando o conforto”, aponta o consultor de marketing da Claudina, Walter Quintana Jr.

Também para diminuir o desconforto causado pelo suor, a marca de calçados femininos utiliza uma palmilha em fibra de algodão que diminui a sensação de umidade e os conseqüentes odores desagradáveis que podem surgir da mistura suor mais poeira.

Os tênis seguem o mesmo caminho dos sapatos. Usados em maior demanda de 20 anos para cá, os tênis deixaram de ser apenas equipamentos esportivos para atingir até mesmo as baladas. As grandes marcas, como Nike, Adidas, Reebok e Asics, transformam seus modelos em objetos de desejo e tecnologia de ponta. As nacionais, como a Olypimkus, não ficam atrás, desenvolvendo modelagens específicas para cada esporte e atividade.

Os tênis precisam aliar o auxilio no desempenho do atleta e a proteção para as articulações e para os pés. Para os modelos de passeio, acaba valendo o mesmo. “Joelhos e pés são os mais facilmente lesionados, por isso o impacto precisa ser diminuído. A evolução da borracha para níveis mais densos e leves foi o que proporcionou a melhora dos tênis”, explica Márcio Callage, gerente de atendimento da Olympikus.

Callage aponta, ainda, que a primeira grande alteração dos tênis foi a tecnologia aparente. “O consumidor visa o aspecto estético acima de tudo, a percepção tecnológica precisava ser visível”, completa. Um exemplo dessa tecnologia que ‘pega pelos olhos’ são as molas do Nike Shox e o Tube da Olympikus. Os tubes foram lançados em 2002 pela marca, mas são estudados desde 1992. É a tecnologia a serviço do conforto, já que o princípio de amortecimento usado no tênis é o mesmo que ameniza os efeitos dos terremotos.

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Além da estética

Falando ainda de conforto, a podologia é uma ciência que engloba todos os aspectos dos cuidados com os pés. Mas entenda, podologia não é medicina, suas atenções são da esfera pára-médica, que trata, mas não medica. O pé é visto globalmente, examinado e tratado frente à dermatologia, à ortopedia, à endrocrinologia, entre outros.

“Os pés nos levam a todos os lugares e são esquecidos quando precisam ser cuidados, já que através deles é possível conseguir o conforto de todo o corpo”, diz a podóloga Ângela Maria Inforzato Pauletti.

Uma das terapias aplicadas para o alívio de diversos problemas em todo o corpo através dos pés é a reflexologia. Estimulando determinados pontos na planta, laterais e peito dos pés é possível melhorar o corpo. É como se na planta do pé um mapa estivesse traçado e cada ponto correspondesse a um órgão do corpo.

“Esses pontos são canais energéticos que influenciam o corpo todo. Se a marcha está errada, desequilibrada, independente dos pontos energéticos estarem sendo mal estimulados ou não, em especial a coluna vai ser afetada negativamente e o reflexo pode até mesmo gerar dores de cabeça”, explica a fisioterapeuta especialista em acupuntura Juliana Paula Ribeiro Freire.

Pensando assim, o sapato aperta e a cabeça dói. A podologia ajuda a cuidar de ‘doenças’ dos pés como problemas ósseos, lesões nas unhas e a hiperqueratose, mais conhecida como calosidade. Portanto, o cuidado dos pés através da podologia não é meramente estético.

Mas, enfim, o que fazer para deixar os pés mais bem tratados? Pauletti é enfática: comece pela higienização. “As pessoas acham que cuidar do pé é passar esmalte e tirar a cutícula, mas, na verdade, é o inverso, a cutícula é uma proteção para a lâmina (unha) e o esmalte resseca a unha, assim como removedor”, afirma a podóloga.

Lavar o pé é essencial, mas lavar com vontade e cuidado. Para relaxar, escalda-pés com água morna e ervas como a cidreira e a erva-doce valem, também podem ser usados os óleos essenciais bem diluídos. A podóloga também alerta que as cutículas precisam ser apenas empurradas e só os excessos podem ser removidos para evitar que ‘caminhos’ sejam abertos para os fungos e micoses.

Esmaltes não são indicados, o melhor é deixar as unhas ‘respirarem’ um pouco. O relaxamento dos pezitos ainda pode contar com massagens de deslizamento com hidratantes – exceto entre os dedos – e bolinhas de gude dentro de uma bacia para rolar os pés. Para terminar, não lixe muitos seus pés e prefira lixas descartáveis, palitos para ‘limpar’ excessos de esmalte também são usados uma única vez. Os alicates devem ser esterilizados e limpos. Pés bem cuidados são mais belos, não doem e contribuem para a saúde global do corpo.