08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A viúva-negra


| Tempo de leitura: 2 min

No Funcionalismo Público Estadual há 25 anos, nunca deixei meus companheiros de serviço à mercê da sorte: desde que se vislumbrem indícios de legitimidade, apoiá-los é o mínimo que se espera de um Homem. À Justiça cabe julgá-los, ninguém mais. Atrás, referi-me ao Homem com “H” maiúsculo. Com o “H” minúsculo, aqueles que “dançam conforme a música”, não... Pois, temos aos montes e não merecem maiores considerações.

Desapontado ante as mazelas de quem ajudamos a levar ao alto, durante anos de trabalho, risco de vida, supressão do convívio familiar, conflitos existenciais irreversíveis (quase doentios), sinto-me inútil à força e desmandos que sobre nós recaem como se fossem meros favores. Lembra-me um dos inúmeros caprichos da Natureza: a aranha Viúva-negra (Latrodectus mactans), que, no acasalamento, atrai o macho, num ritual estonteante. Após a cópula, mata-o, extermina-o. Não vos digo que seja errado, afinal é a manifestação da Natureza. Por outro lado, o “bicho-homem” frequentemente tem manifestado ares malignos de plágio. “Bombardeados” diariamente de notícias sobre a pândega sede do poder, o amor às luzes, à sede da glória, mandos e desmandos, que são colocados acima de quaisquer interesses, resta-nos lamentar e se conformar.

Não vamos mudar o Mundo, digo, o homem. Com naturalidade ímpar, mata-se como àquela aranha, destitui-se, rifa-se, sempre em nome de um ideal tão claro e tão cristalino que me compromete mencioná-lo. A hipocrisia demagógica dá o ar da graça no dia-a-dia, parecendo entorpecer quem se cala e interpreta o “teatro da vida”. Maldosamente, menciona-se até mesmo o “canto da Sereia” que entorpece os marinheiros e sem locupletar o prometido. Desprezíveis seres e paro por aqui! Repudia-me o fato. A verdade é que se vê e sabe-se de tudo e, “prudentemente”, prefere-se nada ver, nada se entender. Até quando o ego doentio prevalecerá sobre o bem-comum? A Viúva-negra é fruto da natureza; por outro lado, o homem não tem o direito de copiá-la. Finalizando, ante tantos tombos e feridas que ainda me doem e sangram às costas, resta-me um valioso saldo que me acompanhará à sepultura: respeitei igualmente todos os irmãos, colegas de trabalho, e até os desconhecidos; ora, aprendi a importância de todos e que ninguém é melhor do que ninguém.

Há coisa mais maravilhosa no Mundo? Obrigado, Deus! Atualmente, dedico-me exclusivamente à família, depois ao lazer, aos amigos e finalmente ao trabalho, ao qual busco o eterno aperfeiçoamento filosofal. Esclareço a todos que, ao contrário do que se têm veiculado, não tenho quaisquer pretensões políticas em Bauru.

Jorge Duarte Miguel - funcionário público estadual e bauruense nato - RG 16.156.039 - e-mail: jd_miguel@ig.com.br - telefone 9115-4249