Nova Déli - A Índia elegeu ontem, pela primeira vez em sua história, uma mulher à Presidência do país. Pratibha Patil, 72 anos, ex-advogada apoiada pelo governista Partido do Congresso, de Sonia Gandhi, venceu com quase dois terços dos votos de parlamentares e deputados estaduais. Na Índia, o cargo é cerimonial, mas de grande carga simbólica.
O resultado das eleições foi considerado no país uma vitória para as mulheres, já que a ascensão de uma mulher à Presidência é vista como uma possibilidade real de luta contra a discriminação de que são vítimas as indianas. “Essa é uma vitória dos princípios que os indianos sustentam”, afirmou ela a repórteres, pouco depois que o resultado foi anunciado.
Apesar de outras mulheres já terem ocupado cargos políticos de destaque - principalmente Indira Gandhi, eleita em 1966 para o posto político mais importante, o de premiê -, as indianas ainda sofrem discriminação no país.
Muitas famílias encaram o nascimento de uma menina como um fardo devido aos costumes que estipulam o pagamento de um dote por parte dos parentes da noiva ao futuro marido. Como conseqüência, muitas mulheres não recebem educação e tratamento médico adequados.
Organizações internacionais estimam que cerca de 10 milhões de fetos do sexo feminino tenham sido abortados no país nos últimos 20 anos, o que começa a criar um déficit de mulheres na Índia.
Reação
Centenas de partidários do governo dançaram e comemoraram nas ruas do país quando o resultado foi anunciado. Patil, que obteve seu primeiro cargo público na década de 1960 mas nunca foi vista como uma grande figura política, foi eleita em meio a escândalos envolvendo membros de sua família - dois deles estão sendo investigados pela polícia.
Governadora do Rajastão (noroeste), Patil foi nomeada para concorrer à Presidência pela líder do Partido do Congresso, Sonia Gandhi, quando a coalizão do governo e os aliados comunistas fracassaram ao tentar chegar em um acordo para a escolha de um candidato.
Opositores afirmam que Patil não é qualificada para o cargo pois faltaria a ela reconhecimento nacional. Seus pedidos, pouco antes das eleições, para que as mulheres abandonassem o véu despertaram reações negativas na comunidade muçulmana da Índia.
A escolha de um membro da minoria para o cargo não é uma novidade. O país já elegeu três muçulmanos e um membro da comunidade sikh, além de um presidente oriundo de uma das castas consideradas mais “baixas” na Índia.