09 de julho de 2026
Internacional

‘Caso Jean Charles não terá punição’

Por Marco Aurélio Canônico | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Londres - Há exatos dois anos, o eletricista mineiro Jean Charles de Menezes, 27 anos, foi assassinado pela polícia britânica com sete tiros na cabeça, em uma estação de metrô de Londres, após ser confundido com um terrorista que estava sendo vigiado. À sua morte se seguiram falsas acusações da polícia - de que seria imigrante ilegal, estuprador, estaria com roupas suspeitas - e impunidade para todos os envolvidos no caso.

É sobre a falta de punição e a farsa da polícia britânica que o escritor carioca Ivan Sant’Anna se debruçou para escrever o recém-lançado “Em Nome de Sua Majestade - A morte de Jean Charles de Menezes no metrô de Londres” (editora Objetiva, 174 págs., R$ 28,00).

“Jean Charles foi vítima de incompetência e vilania. A polícia o seguiu e teve 33 minutos para identificar uma pessoa que era completamente diferente da que eles estavam procurando, mas não o fizeram”, diz Sant’Anna.

O brasileiro foi morto duas semanas depois dos atentados terroristas de 7 de julho de 2005, que mataram 52 pessoas em Londres, e um dia depois de ataques frustrados na Capital. Era um dos terroristas que tentaram atacar na véspera - o etíope Osman Hussein - que a polícia vigiava no prédio em que morava Jean Charles, e foi com ele que o mineiro foi confundido. “Bastava ter descrito o Jean Charles para ver que ele não era o suspeito vigiado.”

O escritor entrevistou diversas pessoas envolvidas com o mineiro, como seus pais, e a responsável por revelar a farsa montada pela polícia, Lana Vandenberghe, ex-secretária da Comissão Independente de Queixas à Polícia (IPCC).

Sem punição

Baseando-se no histórico da Justiça britânica - que nunca condenou um policial por assassinato enquanto em serviço -, Sant’Anna afirma que é improvável que haja alguma punição dos envolvidos.

Há um ano, a Procuradoria-Geral do Reino Unido alegou que as evidências para punir os oficiais envolvidos eram “insuficientes” e decidiu processar apenas a Scotland Yard como instituição, por descumprimento da lei de saúde e segurança - segundo a qual a polícia deve zelar pelo bem-estar de terceiros durante suas ações. “Só falta uma instância para reverter a decisão, a Câmara dos Lordes. Mas, pela tradição britânica, a chance é zero.”

Sant’Anna também não crê que o assassinato teria tido conseqüências diferentes se a vítima fosse britânica. Em um dos capítulos do livro, ele analisa casos semelhantes, em que inocentes nascidos no Reino Unido foram mortos pela polícia e ninguém foi culpado. “Em Nome de Sua Majestade” também analisa a Operação Kratos, o núcleo da Polícia Metropolitana cujos agentes têm licença para matar. Para marcar os dois anos da morte de Jean Charles, o grupo Justice4Jean deve promover um encontro público hoje à tarde, em Londres.

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Justiça

Londres - A família e amigos de Jean Charles de Menezes recordaram neste final de semana o segundo aniversário da morte do jovem e fizeram um novo apelo por justiça. Na sexta-feira à noite, os familiares do eletricista brasileiro morto pela polícia de Londres em uma estação de metrô ao ser confundido com um terrorista colocaram em frente ao Parlamento uma imagem gigante de Jean Charles, acompanhada pelas palavras “Dois anos sem justiça”.

Hoje de manhã, ativistas e amigos do jovem devem se reunir na Capital britânica para recordar o segundo ano da morte do jovem de 27 anos. Eles farão um minuto de silêncio e depositarão flores em um santuário improvisado para a ocasião.

Um porta-voz da família de Jean Charles fez um apelo à nova ministra britânica do Interior, Jacqui Smith, pedindo que se reúna com os familiares “para explicar a falta de investigação crível” sobre a morte do brasileiro.