07 de julho de 2026
Saúde

Meu querido pé

Daiana Dalfito
| Tempo de leitura: 6 min

O pé está na boca do povo. Lá está ele quando se diz que de “pé ante pé” chega-se a algum lugar ou quando a vontade é a de falar “ao pé do ouvido” ou, ainda, energicamente, dizer que irá dar um “pé-d´ouvido” - dito assim, rápido e aplicado da mesma forma. Mas o nosso pé, aliás, os nossos, esses que nos suportam, agüentam e nos levam para aqui ou acolá, andam esquecidos. Cansados ao final de um dia de trabalho, estudo ou esportes, muitas vezes sequer recebem uma massagem, um banho demorado ou uma bela almofada.

Mesmo assim, no dia seguinte, lá estão eles, prontos para mais uma maratona. Mas, deixando a poesia de lado, fica aqui um desafio ao leitor: você cuida dos seus pés? De que forma? Como resposta, muitos podem pensar: ‘vou ao pedicuro’. Mas, na verdade, esse não é o único tratamento que seus pés merecem. Por acaso você já reparou na forma em que coloca o um pé e depois o outro ao caminhar? Como seus sapatos estão gastos? As calosidades formadas nas plantas deles?

Se a resposta for ‘não’, é preciso ficar mais atento a eles, já que muitos problemas nos joelhos, pernas de uma maneira geral, coluna, ombros e outras partes do corpo são causadas, em parte, pelo pé, ou melhor, pela forma como o pé toca o solo, suporta o peso do corpo e recebe impactos.

Evolutivamente, segundo o naturalista britânico Charles R. Darwin, o pé tinha a função de ‘prensão’, era como a mão. Hoje, os pés e seus 26 ossos são estruturas frágeis e ao mesmo tempo robustas que permitem ao homem exercer as funções de apoio, movimentação e absorção de impacto. Porém, se mal cuidados, os ossos e suas ligações por tendões, articulações, ligamentos e músculos podem ter um ‘tilt’.

A fisioterapeuta Eloísa Nelli explica que o desequilíbrio dos pés pode causar, entre outros problemas, o rompimento de ligamentos, torções recorrentes e lesões por esforço e repetição. “Pisar de maneira errada pode alterar mais que a estrutura do pé. Edemas (inchaços), alterações na curvatura da coluna vertebral, principalmente na região lombar, são decorrências das posições antálgicas”, aponta.

Esclarecendo, as chamadas posições antálgicas são as ‘corruptelas’ que o corpo aplica para fugir às dores. Por exemplo, se há uma dor que incomoda no joelho ou no pé esquerdo, a pessoa tende a transferir seu peso e um maior nível de impacto ao lado direito. Como resultado, o corpo todo se desequilibra e, neste caso, o pé direito sofre por dois.

Para evitar dores de cabeça, ou melhor, nos pés, um alerta: andar na posição errada gera conseqüências visíveis. “As calosidades dolorosas ou as simples calosidades plantares indicam as deficiências na pisada”, esclarece Nelli. Esses calos, porém, não são os principais males do andar desequilibrado. Fraturas por estresse e rompimentos de ligamentos e tendões estão entre os efeitos mais devastadores para os pés.

Outra observação necessária diz respeito à anatomia do pé, especialmente no que se refere ao arco plantar (da planta). As duas maiores alterações do arco são conhecidas como ‘pé cavo’, quando a curvatura do é mais pronunciada que o normal e o famoso ‘pé chato’, quando a curvatura da planta é muito pequena. Nos dois casos as dores aparecem.

No caso dos ‘cavos’ é comum o encurtamento dos metatarsos, ossos que se localizam na metade do pé. Já os ‘chatos’ encostam ‘toda’ a sola do pé no solo o que causa a intolerância a longas caminhadas.

Os pés ainda enfrentam mais problemas causados pelas pisadelas desequilibradas. “As chamadas ‘síndromes’ do pé começam a se manifestar por dores debaixo dos dedos, torções de repetição, dores no calcanhar ou antepé – entre outros – e quase sempre apontam para alterações fisiológicas dos pés”, explica a fisioterapeuta. Em muitos casos essas ‘síndromes’ causam desconforto ao calçar os sapatos e o esforço ao andar pode se reverter em artroses.

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Onde o sapato pega

Por falar em sapatos, todo mundo sabe onde o sapato aperta e quem é que nunca olhou a sola de seus próprios calçados? Bem, esse é um ponto importante para saber como vai a sua pisada. O normal, segundo a fisioterapeuta Eloísa Nelli, é o sapato estar gasto na frente sob os artelhos (dedos) e por completo na região do salto. “Quando existem os problemas posturais (coluna), a marcha é alterada e a pisada vai para fora ou para dentro. São os chamados pés valgos e varos (respectivamente)”, completa.

Para começar a corrigir a pisada e as alterações fisiológicas do pé é preciso prestar atenção ao andar: Primeiro o calcanhar, depois a ponta. Depois, procurar um ortopedista e um fisioterapeuta pode ajudar a identificar as alterações dos pés e resolver os problemas.

Além dos raios X e dos exames físicos, a baropodometria registra onde o pé se apoia. O exame consiste em um ‘eletro’ do pé, feito através da captação de estímulos por eletrodos em uma palmilha, explica a fisioterapeuta.

Voltando ao andar, ajuda muito deixar os pés nus e dar uma caminhadinha. Botar os ditos para trabalhar na grama, por exemplo, além de melhorar a contração muscular, ajuda a formar a curvatura da planta do pé. Na verdade é este estímulo muscular que corresponde à parte bruta da correção dos pés cavos e chatos. Para esses dois casos ainda são indicadas as palmilhas e as botas ortopédicas.

O ‘sapato’ ainda pode pegar em outras regiões do pé, não só na planta. Os famosos joanetes, esporões e as bursites são problemas comuns causados, entre outros fatores, pela pisada desequilibrada, pelo aperto do sapato e pelo excesso de impacto. Para diminuir esses problemas o sapato deve estar adequado ao pé, nem justo, nem solto.

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Os passos da tecnologia

Os sapatos com ou sem salto e plataforma, abertos ou fechados, com e sem cano e os tênis foram mudando de cara no decorrer do tempo. Atualmente, os sapatos de salto receberam um ‘up’ em suas formas, isso porque o investimento tecnológico para que eles fiquem mais estáveis e confortáveis cresceu. Entre as empresas que têm apostado em pesquisas para atender melhor seu público está a jauense Claudina, no ramo de calçados femininos há 38 anos.

De acordo com o consultor de marketing da marca, Walter Quintana Jr., os calçados da marca atendem até 80% das mulheres em conforto. “Os novos modelos foram desenhados buscando as diferenças entre os pés femininos. O calcanhar, os dedos e o peito do pé ficam ajustados ao sapato, a diferença no ‘assentamento’ do pé é visível. O sapato não aperta aqui e fica solto ali”, completa Quintana.

Além da fôrma, segundo o consultor, a diferença está no equilíbrio entre o desenho da plataforma e o salto para que a postura seja correta e estável. “Para ajudar na estabilidade, os calçados têm um chassis de aço parafusado ao salto e à plataforma. O sapato é um monobloco que aumenta a estabilidade e a elegância ao andar”, termina.