11 de julho de 2026
Política

‘Queremos ganhar pelos diferenciais’, diz Angerami

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

Ao comentar a reportagem principal da edição de ontem do JC, que apontou que os custos para a construção de um terminal de cargas em Bauru seriam cinco vezes menores que no aeroporto de Ribeirão Preto, o prefeito Tuga Angerami ressaltou que o pensamento do Executivo não é o de transformar a questão em um “braço-de-ferro” com aquele município. “Queremos ganhar pelos diferenciais que pesam a favor do aeroporto de Bauru”, enfatizou.

Angerami também declarou ter refletido muito sobre a possibilidade de eventuais decisões políticas - outra questão levantada na matéria de ontem - se sobreporem às questões técnicas e econômico-financeiras. “Há certo receio de que a questão política se sobreponha às questões técnicas e econômicas nessa discussão, pois o Antonio Palocci (ex-prefeito de Ribeirão Preto) já foi ministro e é um homem influente dentro do PT e do governo”, salientou.

Caso isso ocorra - o “peso” político sobrepor-se às questões técnicas e econômicas -o chefe do Executivo bauruense frisou que contará com a mídia para “constranger” o governo.

“Se houver pressão política a favor de Ribeirão Preto por parte do ex-ministro Palocci, que poderia fazer prevalecer sua força contra qualquer argumento técnico e de racionalidade econômica-financeira, temos de noticiar isso na mídia nacional, pois ficaria constrangedor e tenho certeza que o presidente Lula não se deixaria levar por pressões políticas. Temos de fazer prevalecer a racionalidade na decisão mostrando as vantagens relativas e todos os diferenciais que temos de imediato, a médio e longo prazo”, enfatizou Angerami.

E o prefeito bauruense cita vários argumentos favoráveis ao aeroporto Moussa Tobias que pesariam a favor dessa racionalidade. “Temos 200 alqueires no entorno livres e sua localização foi uma escolha acertada, pois está fora do eixo do desenvolvimento urbano, enquanto em Ribeirão Preto, por mais que se pense em aumentar o entorno desapropriando casas, ele está dentro da área de expansão urbana, o que gera limitações mesmo para o transporte de cargas. Aeroportos de carga têm de funcionar 24 horas por dia e não só até as 23h como Congonhas. As cargas chegam de madrugada, decolam de madrugada, ao amanhecer ou à noite, o que seria possível em Bauru”, destacou Angerami.

Para o chefe do Executivo, caso o governo decida-se por um lobby político em detrimento das vantagens técnicas e econômicas poderá repetir o erro de Congonhas. “O governo corre o risco de, se politicamente decidir fazer em Ribeirão Preto, repetir a situação de Congonhas. Lá foi feito um enorme investimento, mas criou-se insegurança para quem mora no entorno e para passageiros”, finalizou o prefeito.