10 de julho de 2026
Polícia

Detento foge da Penitenciária 1 e tenta assaltar mulher em um estacionamento

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Ontem, à tarde, no estacionamento de um supermercado na Vila Falcão, uma mulher de 52 anos viveu momentos de extrema tensão. Ela estava prestes a entrar no carro, quando foi abordada por um homem que anunciou um assalto.

Edson Sena Vilela havia acabado de fugir da ala de progressão da Penitenciária 1 (P1) de Bauru e estava acompanhado de outro fugitivo, o marceneiro Sílvio Eduardo Caldeira, 23 anos, natural da Capital.

Alegando problemas pessoais na prisão, os dois decidiram abandonar a ala de progressão da P1. A evasão se deu por volta das 14h30. Em seguida, eles teriam se dirigido à região da Vila Falcão, onde Vilela resolveu se arriscar no assalto.

Embora não portasse armas de fogo - a não ser uma pequena faca de cozinha, mais tarde apreendida pela Polícia Militar (PM) -, Vilela se aproximou da vítima e ordenou que ela saísse do veículo, ou do contrário seria obrigado a disparar contra ela.

A mulher, que pediu para não ser identificada, resolveu não obedecer. “Pensei comigo: ‘Se ele tivesse um revólver, já teria colocado na minha testa’”, revelou ela à reportagem. Percebendo que a vítima não se intimidava, Vilela decidiu mudar a tática. “Ele mandou que eu entrasse no carro e o levasse, junto com o colega, até um viaduto (ela não soube informar o local exato determinado pelo acusado)”, conta.

A mulher, que é bancária aposentada, decidiu não arredar o pé da porta do carro. O ladrão voltou a ameaçá-la. “Ele ainda me disse: ‘Dona, só quero sair daqui para encontrar a minha mãe.’ Respondi para ele: ‘Também tenho mãe, e ela está de cama. Cara, sai dessa vida, você é jovem, isso não vai te levar a nada’”, afirmou ela.

Caldeira, que não tomou parte na tentativa de roubo, procurava convencer o colega a desistir do assalto. Segundo a própria vítima, ele teria dito a Vilela: “Deixa isso pra lá, meu; vamos embora de ônibus. Isso não vale a pena.”

De acordo com a bancária aposentada, Vilela chegou a exigir que ela lhe entregasse dinheiro. “Falei que havia gasto tudo no supermercado - e, de fato, tinha mesmo. Daí o rapaz ainda tentou apanhar um porta-moedas que estava em minha mão. Só que consegui tomar de volta”, afirmou a mulher.

Vilela teria, ainda, tentado tomar uma colar da vítima. Para se defender, ela disse que a peça, fabricada em ouro, era uma reles bijuteria.

Socorro

Para sorte da mulher, o socorro chegou rápido. Avisados pelos vigilantes do supermercado, dois fiscais do estacionamento correram até o local onde ocorria a tentativa malograda de assalto. “Quando cheguei até lá, o cara gritou: ‘Some daqui, pois estou armado.’ Respondi: ‘Se for verdade, aponta o revólver para mim.’ É lógico que, se ele mirasse em mim, eu me esconderia atrás dos carros’”, afirmou Júlio Cavalieri, um dos funcionários que socorreram a mulher.

Ao perceber que seriam pegos, Vilela e Caldeira decidiram correr. “Foi um para cada lado. Decidimos, então, ir para cima daquele que estava ameaçando a senhora”, disse Cavalieri.

Caldeira conseguiu fugir e se escondeu em um matagal, nas proximidades do Parque Jaraguá. Ele foi recapturado por agentes da PM, por volta das 15h30, e encaminhado ao Plantão da Polícia Civil. Como não teve participação direta na tentativa de assalto, ele foi reencaminhado à P1 e não será indiciado.

Vilela, por sua vez, não teve a mesma sorte. Após correr algumas quadras, ele acabou sendo pego pelos funcionários do supermercado. Minutos depois, foi levado ao Plantão Policial por agentes da PM. Ele foi encaminhado à Cadeia Pública de Avaí, onde permanecerá aguardando julgamento. A vítima não sofreu ferimentos ou traumas em decorrência da tentativa de assalto. Mais tarde, quando a situação já estava resolvida, ela afirmou à reportagem: “Tive pena dele. Uma rapaz tão jovem, numa situação dessas.”