07 de julho de 2026
Articulistas

O poder do livro


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A preocupante convergência das conclusões de várias pesquisas não permite duvidar do cenário desalentador, quando o assunto é hábito de leitura entre alunos do ensino superior. O desfile dos números mostra que o livro não escolar é, mesmo, a grande ausência na vida dos jovens brasileiros. O Exame Nacional de Desempenho 2006 (Enade) revela que 47% dos universitários não lêem ou lêem no máximo dois livros por ano. Pesquisa recentemente divulgada pelo CIEE mostra que, na Grande São Paulo, 36% confessam não abrir ou abrir só “às vezes” um livro. Já outra pesquisa realizada pelo CIEE no Rio de Janeiro confirma que 15% não folheiam sequer um volume e 45% admitem ler somente de um a três obras diferentes por ano.

Ressalve-se que as três estatísticas referem-se a livros não escolares, ou seja, podemos alimentar a esperança de que nossos universitários, pelo menos, não mantenham essa perigosa distância das obras didáticas adotadas em classe. Com o livro custando, em média, o equivalente a quatro cheeseburgers acompanhados de um pacote de batatas fritas e um copinho de refrigerante no McDonald’s, a desculpa não é mais o preço alto; agora é a falta de tempo dos jovens, sob a alegação de que trabalham de dia e estudam à noite.

Mesmo levando em conta a explicação, não é admissível que 60% dos universitários (pesquisa CIEE/Rio) leiam no máximo três livros não obrigatórios durante os doze meses do ano. Até porque, além do prazer vivenciado por quem o cultiva, o hábito da leitura é o grande canal que coloca o estudante em contato com um riquíssimo universo de idéias, de sentimentos e de emoções, que o levarão a entender muito melhor a realidade em que vive, a exercitar seu poder de imaginação, a partilhar raciocínios e, não menos importante, a se expressar com clareza, consistência, articulação e correção gramatical. Além, é claro, de permitir que aprenda a pensar pela própria cabeça, sem censura ou interferência de terceiros.

Importante para a formação integral do jovem, o livro é também fator importante na preparação do estudante para o ingresso no mercado de trabalho. Os muitos insucessos em processos seletivos estão aí para provar que quem não lê, não aprende a escrever corretamente e quem não sabe escrever com propriedade, também se expressa mal. E por que as empresas valorizam tanto esse requisito, a ponto de recusar candidatos que não o apresentem? Porque quem não está apto a ler e a escrever bem, comprometerá a qualidade da comunicação na equipe de trabalho (como estagiário ou efetivo); não interpretará corretamente as instruções de um manual; atenderá de forma errada a futuros clientes; não receberá nem transmitirá adequadamente informações a chefes ou subordinados, e assim por diante. Resumindo, no mundo do trabalho continua valendo - e muito - alerta do Chacrinha, antigo apresentador de TV que conquistava platéias: “quem não se comunica, se trumbica”.

O autor, Luiz Gonzaga Bertelli, é presidente executivo do CIEE, da Academia Paulista de História - APH e diretor da Fiesp