10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Paralisação na Cteep continua hoje

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

Funcionários da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep) entraram em greve, ontem, por tempo indeterminado. O movimento foi decidido em assembléia realizada na semana passada, quando cerca de 50 dos 120 funcionários da empresa decidiram paralisar as atividades. Segundo o diretor do Sindicato dos Eletricitários (Sinergia/CUT) Francisco Wagner Monteiro, os trabalhadores garantirão o fornecimento de energia elétrica à população enquanto durar o movimento.

A categoria está em campanha salarial desde 1 de junho e decidiu deflagrar greve pelo fato da diretoria da empresa ter interrompido, unilateralmente, as negociações. A proposta de reajuste salarial de 4,5% mais abono de R$ 350,00 foi aceita. “A greve só foi decidida porque a empresa não quis mais negociar”, afirmou Monteiro.

Os principais motivos que levaram à decisão da maioria dos funcionários foram: a retirada da garantia de emprego prevista em acordo coletivo, a implantação do trabalho não remunerado aos domingos em troca de uma folga durante a semana e a intenção da empresa implantar uma participação nos lucros e resultados (PLR) diferenciada para os cargos de gerência - além de reduzir em R$ 1.250,00 a PLR da maioria dos trabalhadores. “Os trabalhadores não são obrigados a concordar com isso”, disse.

Ontem, apesar da chuva, funcionários pararam carros na entrada da Cteep para impedir que outros veículos entrassem na empresa. Com o carro de som ligado, os sindicalistas tentavam convencer alguns colegas a aderir ao movimento. Segundo Monteiro, a adesão foi de 70%, o que significa aproximadamente 80 trabalhadores “de braços cruzados”.

O sindicalista disse que uma audiência de mediação foi marcada para a próxima quinta-feira, na Procuradoria do Trabalho, em Campinas. De acordo com o diretor do Sinergia, se houver acordo na quinta-feira, a greve será interrompida. Caso contrário, o movimento continua até que a Cteep volte a negociar. “Se a Justiça do Trabalho julgar a greve e pedir para a gente voltar a trabalhar, a gente suspende o movimento. Mas para amanhã (hoje) a greve está mantida”, frisou.

Negociação

Monteiro ressaltou também que os trabalhadores não aceitam retornar ao trabalho sem que a empresa volte a negociar e as partes cheguem a um acordo. “Se a empresa quiser, tem que negociar com os trabalhadores durante a greve. A data base é em 1 de junho, e nós já estamos no final de julho. Tudo que podíamos fazer já foi feito”, disse.

A Cteep também contratou uma produtora de vídeo para filmar a movimentação dos funcionários durante a greve. Segundo a assessoria de imprensa, não se trata de assédio moral, como acusou o Sinergia /CUT, mas reiterou que havia preocupação com o patrimônio.

“Para garantir o acesso dos colaboradores ao local de trabalho, para preservar o patrimônio próprio e de terceiros e para segurança da manutenção da devida continuidade na prestação do serviço de transmissão de energia elétrica, considerado essencial à população, a empresa contrata serviço de filmagem para registro das manifestações. O referido registro dos acontecimentos é um instrumento essencial para medidas de proteção ao indivíduo, ao patrimônio e ao sistema (...).”

A empresa também manteve a mesma posição da semana passada. Em nota enviada à reportagem por sua assessoria de imprensa, a Cteep diz que “a empresa respeita a liberdade sindical e em nenhum momento atua com o objetivo de coação ou restringindo a atuação das bases sindicais. A Transmissão Paulista acredita e privilegia a negociação com os sindicatos representativos de seus colaboradores e aguarda as decisões em assembléias”.

A Cteep foi privatizada no dia 28 de junho do ano passado pela empresa colombiana Interconexión Eléctrica S/A, que comprou a companhia de transmissão de energia por R$ 1,193 bilhão. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) avaliou o valor real da empresa em R$ 12 bilhões.