Em pleno inverno, estação caracterizada por frio e estiagem em Bauru, este mês está fugindo à regra. Já é o julho mais chuvoso dos últimos nove anos, segundo estatística do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet). A chuva acumulada neste mês, até as 20h de ontem, era de 171,6 milímetros, 3,5 vezes mais que a média histórica do período, que é de 48 milímetros. Só ontem foram 70 milímetros, chuva que causou estragos. Na periferia, várias casas foram inundadas e a Defesa Civil, que está em alerta, teve de distribuir lonas, colchonetes e cobertores.
A avenida Alfredo Maia, na Vila Falcão, ficou debaixo d´água, cena comum em Bauru entre novembro e março, período considerado das chuvas. Em fevereiro de 2001, quando a cidade teve a maior enchente dos últimos tempos, quatro pessoas morreram tragadas pela enxurrada, duas delas na Alfredo Maia. A inundação de ontem, em pleno inverno, pegou a população de surpresa. O coordenador da Defesa Civil, tenente Eros Antônio Pereira, chama a atenção para o fato. “Não temos a época de chuvas. A população tem de estar preparada o ano inteiro”, frisa.
A Defesa Civil não teve registros de feridos nem desabrigados pela chuva, mas pelo menos três famílias precisaram de lona para continuar em suas casas. Uma família do Parque Real, por exemplo, teve todos os móveis, inclusive colchões, molhados pelas inúmeras goteiras decorrentes de infiltração no telhado. O casebre onde moram sete pessoas, das quais três são crianças e outras duas estão doentes, estava encharcado ontem à tarde.
Tentando proteger um dos moradores doentes, Márcia Lúcia Pereira da Silva, dona da casa, montou uma cama para ele na sala. Mas mesmo assim as goteiras atingiam o doente. Com a lona que recebeu da Defesa Civil, ela iria tentar vedar as goteiras. Do outro lado da cidade, no Núcleo Geisel, uma moradora entrou em desespero ao ver sua casa tomada pela água da chuva. A calha entupiu e a água invadiu a residência, molhando móveis.
Assim como para a família do Parque Real, a Defesa Civil forneceu lona para vedar a entrada de água. Tenente Eros conta que ainda atendeu outras duas chamadas de moradores que tiveram a casa alagada: uma na Vila Independência e outra no Parque Jaraguá. No Parque das Nações, uma casa e um bar também foram invadidos pela enxurrada, mas os próprios moradores fizeram a limpeza e tomaram as medidas de precaução.
Carro ilhado
Além das casas alagadas, o Corpo de Bombeiros também teve trabalho para retirar um carro que estava sendo alagado na quadra 1 da avenida Alfredo Maia. “Quando o motorista entrou na Alfredo Maia, tinha pouca água. Mas o carro afogou e, como estava chovendo forte, logo a água subiu. O motorista teve de sair”, conta Welington Luiz Conduta, que trabalha na via e assistiu a retirada do veículo.
Desde o final do ano passado com sede na quadra 1 da Alfredo Maia, a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) não chegou a suspender o expediente por causa da inundação da via. “O prédio fica em nível mais alto que a rua”, explica a assistente social Jussara Canella, que responde interinamente pela pasta.
Mas como a Alfredo Maia ficou alagada, o melhor caminho para chegar à Sebes era uma rua secundária. “A enxurrada chegou bem próximo daqui. Inclusive dispensamos alguns funcionários um pouco mais cedo por causa da chuva, mas mantivemos os atendimentos do programa Bolsa-Família e passe deficiente”, conta. Além de forte, a chuva de ontem foi acompanhada por descargas elétricas que causaram panes rápidas em alguns semáforos.
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Refluxo
Em pelo menos 20 casas de Bauru houve refluxo de esgoto ontem, durante a chuva. Refluxo é o retorno do esgoto da rede pública para a residência, problema que geralmente ocorre por causa de ligações clandestinas para escoar água da chuva na rede de esgoto. Como a quantidade de enxurrada é maior que a capacidade de escoamento, a água da chuva, misturada ao esgoto, volta para as casas.
O Departamento de Água e Esgoto (DAE) informa que recebeu reclamações de refluxo de esgoto de vários bairros de Bauru. Mas os problemas mais graves foram registrados no Núcleo Fortunato Rocha Lima e Núcleo Bauru 16. No Fortunato, os funcionários do DAE acharam até garrafa de detergente na rede de esgoto, o que dificultava o escoamento e causava o refluxo, segundo a assessoria de imprensa da autarquia.