07 de julho de 2026
Nacional

Plano para Congonhas vai elevar passagem

Por Letícia Sander e Pedro Dias Leite | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Três dias após anunciar medidas para reduzir o tráfego aéreo em Congonhas, o governo avaliou ontem que o efeito colateral dessas propostas deve recair sobre os passageiros: prevê-se um aumento no preço das passagens aéreas e transtornos aos usuários, que terão de usar outros aeroportos.

A constatação, segundo apurou a reportagem, foi feita na reunião de coordenação do governo, da qual participaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice, José Alencar, e os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Paulo Bernardo (Planejamento), Guido Mantega (Fazenda), Walfrido Mares Guia (Relações Institucionais), Tarso Genro (Justiça) e Franklin Martins (Comunicação Social).

Em reserva, o governo diz ter feito uma opção pela segurança e afirma que não cederá a pressões para que Congonhas volte a operar de forma superlotada. Mas reconhece que, ao fazer essa opção, há “um preço a pagar”, porque agora não dá para ter “tudo ao mesmo tempo”, nas palavras de um assessor presidencial. Ou seja: a prioridade será a segurança, em detrimento da “comodidade” e de eventuais contratempos, como o aumento nas passagens.

A limitação dos vôos no aeroporto de Congonhas vai reduzir a oferta de passagens - daí a previsão de aumentos nos preços. Para o governo, as medidas anunciadas na sexta-feira tiveram “forte impacto”. A avaliação é de que Congonhas foi “um erro de planejamento estratégico” que vinha sendo mantido desde governos anteriores.

O entorno presidencial também fez questão de ressaltar que os próprios usuários contribuíram para a superlotação do aeroporto, que sempre foi preferido pela maioria dos viajantes, e que nunca houve um movimento “contra Congonhas” vindo da sociedade.

As medidas anunciadas pelo governo na sexta estão concentradas em Congonhas. Incluem a redução em 30% ou 40% dos vôos que ontem pousam ou decolam do aeroporto, o impedimento de vôos fretados e “charters” e um limite ainda não definido no uso do aeroporto com táxi aéreo.

Também foi anunciada a intenção de construir outro aeroporto nos arredores de São Paulo. As conseqüências das medidas adotadas já tinham sido apontadas por especialistas, principalmente no que diz respeito ao aumento das tarifas.

Na reunião de ontem, Lula e seus ministros definiram que o Conselho de Aviação Civil (Conac) passará a ter reuniões mais regulares e que o Ministério do Planejamento também integrará o órgão. É de responsabilidade da pasta a liberação de verbas para obras emergenciais, e o plano do governo de construir um novo aeroporto exigirá bilhões de reais. Ontem, em seu programa de rádio, Lula disse que qualquer julgamento sobre as causas do acidente com o avião da TAM é “prematuro” e “quase irresponsável”.

O comentário vem dias depois de o assessor da Presidência, Marco Aurélio Garcia, “desabafar” com gestos obscenos ao assistir a uma notícia que atribuía grande parte da culpa do acidente à TAM. Lula afirmou que “não existe hipótese alguma de a verdade não vir à tona”, mas lembrou que o aeroporto de Congonhas foi “cercado pela cidade” - numa crítica velada à Prefeitura de São Paulo: “É só olhar de baixo ou de cima que a gente vai ver a quantidade de prédios. E mais ainda, não faz muito tempo, tem prédios novos sendo inaugurados ali, na linha em que passa o avião, perto do Jockey Club, em São Paulo”.