09 de julho de 2026
Nacional

Passageiros já optam por viajar de ônibus

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Alguns passageiros que tentavam embarcar no aeroporto de Congonhas, na tarde de ontem, estão desistindo de remarcar seus vôos e se organizam para ir de ônibus até seus destinos. É o caso do engenheiro Daniel Rezende, 25 anos, do Rio, da decoradora Nadja de Almeida, 44 anos, do Rio Grande do Sul, e da gerente de vendas Carolina Pires, 25 anos, do Paraná. Eles deveriam ter embarcado às 9h30 de ontem num vôo da TAM para Curitiba. O vôo foi cancelado por volta das 12h.

Segundo Rezende, a informação prestada pela companhia aérea era de que a única possibilidade para o trio era remarcar o vôo para quarta-feira. Os passageiros, que não se conheciam, resolveram pegar o mesmo táxi até a estação Jabaquara do Metrô (zona sul), e de lá seguir para o terminal do Tietê. Eles programam sair às 23h de ontem de São Paulo e devem chegar à Curitiba às 6h de hoje. “Como só vamos viajar às 23h, aproveitamos para trocar telefones, vamos almoçar juntos e depois continuaremos a nos comunicar pela internet”, afirmou Rezende.

Outro grupo, formado por três engenheiros da Petrobrás, Fábio Aguiar, 34 anos, Eduardo Montanaro, 25 anos, e Fernando Prado, 26 anos, também optou por viajar de ônibus. Eles vieram a São Paulo a trabalho e têm de viajar a Macaé, região dos Lagos, no Rio.

O grupo deveria ter embarcado em um vôo da Varig, no entanto, foi cancelado. Eles ouviram a conversa do outro grupo, que vai para Curitiba, e resolveram fazer o mesmo. “Ao menos de ônibus leito a gente vai em uma poltrona bem mais confortável, mais espaçosa”, disse Prado.

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Saguão vira escritório

São Paulo - Literalmente presos nos saguões de espera e embarque, os passageiros que tiveram os vôos cancelados no aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, transformam as cadeiras disponíveis nas áreas de descanso em escritórios improvisados.

Até a tarde de ontem, 60% dos vôos foram cancelados. Sem saber quando poderão remarcar suas passagens, eles sacam seus laptops, os colocam no colo e utilizam o tempo útil para adiantar trabalhos. A consultora de empresas Hyvana Alves, 27 anos, tinha um vôo marcado para às 8h22 de ontem pela TAM rumo à Florianópolis (SC).

A saída foi remarcada para as 16h40, e, por volta das 15h30, ela foi informada do cancelamento. Ela tem (teria) uma reunião hoje pela manhã com um “cliente importante”.

Sem saber quando poderá remarcar o vôo, sentou, abriu seu laptop, ligou para o cliente e pediu o agendamento de uma nova data. Enquanto não obtinha a resposta, decidiu acertar os detalhes finais da sugestão que deverá apresentar. “É uma falta de respeito muito grande você ser retirado da sala de embarque e sair sem qualquer informação”, disse.

Francisco José, 41 anos, professor universitário em Feira de Santana (BA), não encontrou lugar para sentar. Achou um canto no saguão e sentou no chão. Abriu seu computador portátil e olhava desolado a apresentação, em slides, de um trabalho que lhe consumiu seis meses de pesquisa em campo.

Os slides deveriam integrar uma apresentação acadêmica prevista para ontem à noite durante a 7.ª Reunião de Antropologia do Mercosul, que acontece a partir de ontem na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O professor saiu de Salvador em um vôo da TAM às 7h45 de ontem e deveria pousar em Congonhas. Devido ao mau tempo, foi transferido para Guarulhos, como não havia possibilidade de pousar, foi despachado para Campinas. De lá, veio de ônibus para Congonhas, onde permanecia até as 15h30 de ontem.