08 de julho de 2026
Nacional

Erro de sargento causou falha em radar

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, informou ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o início da pane do Cindacta-4, em Manaus, foi causado por um sargento da manutenção que errou ao manusear as baterias de geração de energia. Foi o próprio responsável quem se apresentou ao comandante do centro e confessou que errara. Saito, que esteve em Manaus anteontem, disse ainda ao presidente que as investigações continuam e que essa foi apenas a primeira apuração sobre a pane que interrompeu os vôos na área de Manaus durante duas horas na madrugada de sábado para domingo, com efeito-cascata em todo o País.

Conforme o brigadeiro disse a Lula, há ainda muitas perguntas sem resposta e não está descartada a hipótese de sabotagem - que o próprio Planalto a princípio não afasta. Algumas são estas: Por que a pane demorou tanto tempo? Por que o sistema de back-up também não funcionou? Por que os efeitos foram tão drásticos, a ponto de vôos internacionais serem mandados de volta? Por que tudo isso aconteceu exatamente agora, dias depois da queda do Airbus da TAM?

Conforme a reportagem apurou, uma das linhas de investigação é se funcionários do Cindacta-4, especialmente da área de controle aéreo, não aproveitaram uma falha humana original para amplificar o problema e passar a imagem de caos para o País e para o Exterior. Os controladores garantem que ocorreu uma pane e negam enfaticamente essa possibilidade.

A Aeronáutica também investiga quem são os funcionários que vêm dando versões à imprensa e está particularmente interessada num funcionário que deu entrevista à televisão contra a luz e com modificador eletrônico de voz, para não ser reconhecido, dizendo que dois aviões quase se chocaram na altura de Belém, no Pará - algo que a FAB nega.

Na versão da Força, as entrevistas e versões confirmariam que, apesar das medidas repressivas tomadas contra os controladores de vôo, eles continuam ativos e mobilizados. Os líderes do movimento foram presos por criticarem o sistema em entrevistas.

Outros líderes foram afastados das funções e estão sujeitos agora a um processo com base no Inquérito Policial Militar (IPM), realizado pela FAB, e à espera de manifestação do Ministério Público, por suspeita de motim na greve de 30 de março passado, que parou os aeroportos do País. Em Manaus, onde ocorreu a pane do fim de semana, houve revolta diante da prisão e do afastamento dos companheiros, e outros acabaram também punidos. Dos quatro Cindactas, foi justamente o que mais reagiu contrariamente às punições.