Lojas com televisores ligados em canais que exibem 24 horas por dia os jogos Pan-Americanos chamam a atenção dos clientes. Por alguns instantes eles param as compras para assistir momentos emocionantes de uma disputa esportiva, como aquele ponto decisivo, o golpe certeiro ou um gol de placa. O gerente de uma loja de produtos esportivos, Fábio Helmeister acredita que a adrenalina da torcida influencia no momento da compra. “As pessoas estão muito interessadas nas competições”, comemora.
Os jogos Pan-Americanos estão trazendo resultados positivos para o comércio de produtos esportivos, que costuma ser fraco no período de férias. “Em julho sempre temos uma leve queda, mas desta vez, por causa dos jogos, as vendas aumentaram 10%”, avalia Helmeister. Os itens mais vendidos na loja em que trabalha são bonés e camisetas relacionadas ao Pan. “Artigos de artes marciais e vôlei também estão sendo mais procurados do que o normal”, observa o gerente, confirmando o aumento do entusiasmo do público pelos esportes nessa época.
Ontem à tarde, a estudante Laura Nicolielo, 22 anos, olhava atenta os preços de produtos com marcas relacionadas aos Jogos Pan-Americanos em um hipermercado de Bauru. “Está caro demais”, disse, desistindo da compra. O mascote em forma de sol, chamado Cauê, é vendido nas versões pelúcia e plástico e custa em média R$ 69,97 e R$ 29,97, respectivamente. A figura de Cauê também foi usada para a fabricação de jogos de memória, que são vendidos em torno de R$ 24,99.
Para quem quer guardar uma lembrança dos jogos realizados no Brasil pela segunda vez e literalmente “vestir a camisa”, camisetas de algodão com o símbolo oficial do Pan do Rio de Janeiro estão à venda por quase R$ 40,00, preço que não atrai quem está pouco envolvido pelas competições, como a estudante Laura. “No começo estava acompanhando, mas agora só vejo o quadro de medalhas. Gostava de ver a ginástica artística, que já acabou”, conta.
Copa
Apesar do pouco movimento nas gôndolas em que estavam expostos produtos relacionados ao Pan, a gerência da rede varejista consultada pela reportagem informou que as vendas estão promissoras, mas ainda não é possível comparar com os lucros relacionados a outros eventos, como a Copa do Mundo de Futebol.
O Pan também refletiu no mercado editorial. Alguns livros foram lançados, com preços um pouco “salgados”, como “Heróis da América” e “A história completa dos Jogos Pan-Americanos”, da editora Cia dos Livros, que é encontrado por R$ 99,00. Mesmo assim, os livros referentes ao assunto estão dando bons resultados de venda, como informou o gerente de uma papelaria e livraria da cidade, Nilo Alves Júnior. Ele explica que o interesse do público pelo assunto acontece apenas durante o período do evento esportivo.
“Como o Pan é ‘tiro-curto’, depois que acaba, o produto corre o risco de ficar em estoque. As próprias editoras não investem muito nesse setor”, acredita. Segundo Nilo, as vendas de livros são iguais se comparadas às da Copa do Mundo de Futebol. “O público é o mesmo, pessoas que realmente gostam do assunto esporte”, observa.
A primeira vez que uma edição dos Jogos Pan-Americanos foi realizada no Brasil foi em 1963, quando São Paulo venceu a disputa com Winnipeg, no Canadá, para sediar o evento. No próximo domingo será encerrado o Pan 2007, no Rio de Janeiro, que começou no último dia 13.