09 de julho de 2026
Geral

Avós substituem o tricô pela troca de experiência com netos

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Cauã tem apenas um ano de idade e a sorte de receber o afeto de mulheres que representam três gerações diferentes de sua família: a avó, a bisavó e a trisavó. Devido ao aumento da expectativa de vida, cada vez mais, as pessoas poderão celebrar o Dia dos Avós, comemorado hoje, acompanhados por seus entes queridos que, com suas experiências, contribuem para a educação e desenvolvimento dos seus familiares.

Ou não. “Dizem que avó só estraga os netos, e estraga mesmo”, admite Vânia Parreira, 46 anos, avó de Cauã, entre risos. “Faço tudo o que ele quer, levo-o para passear, brinco. Até o banho é mais divertido”, diz.

Para Vânia, as preocupações e as responsabilidades de criar os filhos são tão grandes que, por vezes, a impediam de aproveitar as alegrias da maternidade. “Eu fiquei tão envolvida em colocá-los em aulas, educá-los, cuidar da saúde, que acabei não curtindo tanto as crianças”, revela sobre os seus dois filhos, Talita, 25 anos, e Júnior, 23 anos, que foram criados com a ajuda da mãe de Vânia, Vilma De Carli Abreu, 67 anos.

“Quando a minha mãe chegava em casa, eu e a criança estávamos chorando juntas e ela nem sabia quem ia socorrer primeiro”, lembra-se Vânia, entre risos, sobre quando pedia o auxílio de sua mãe nos momentos de insegurança. “Ela ficava desesperada porque achava que o bebê estava doente, mas criança chora à toa mesmo. Pode ser fome ou até mesmo porque está querendo um agrado, um carinho”, esclarece Vilma, avó de 10 netos, os quais diz ter “curtido mais do que pôde”. “Eu aviso eles um dia antes: não esqueça, amanhã (hoje) é Dia dos Avós!”, lembra-os à espera de carinhosos beijos e telefonemas. “E você sabe porque se comemora essa data? Porque é Dia dos Avós de Jesus”, ensina Vilma, que é catequista há 30 anos.

Outra família bauruense também comemora o Dia das Avós. É a de Edna de Lima, que tem cinco filhos, 13 netos, 18 bisnetos e cinco tataranetos - o mais velho está com 6 anos. Com 82 anos, Edna costuma reunir os membros das quatro gerações dos Lima e trocar experiências com eles.

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Gerações

O aumento da longevidade devido aos avanços da medicina e a aquisição de hábitos saudáveis proporciona a convivência de gerações diferentes. E isso, só tende a crescer. Até 2020, a expectativa é que dobre o número de pessoas com mais de 60 anos no Brasil.

A trisavó de Cauã, por exemplo, Aracy Lopes de Carli, tem 86 anos. Ela perdeu as contas de quantos descendentes tem. “É um colosso, graças a Deus!”, enfatiza lembrando-se da alegria de conhecer as novas gerações de sua família. “

A terapeuta ocupacional Sandra Ferreira observa que, apesar dos idosos estarem mais saudáveis, ainda falta carinho e atenção. “A questão do afeto ainda tem ficado um pouco de lado”, comenta enfatizando que a convivência entre avós e netos traz benefícios para ambos.

“Além do idoso ter mais auto-estima, ao participar efetivamente da vida dos seus netos, ele transmite valores morais e éticos como a responsabilidade e o respeito, coisas que a atual geração está carente”, enfatiza lembrando-se de que a vivência com pessoas da chamada “melhor idade” é valiosa para a formação de caráter.

A bisavó de Cauã, Vilma De Carli Abreu, observa que não é tão presente na vida dos bisnetos quanto foi nas dos netos. “Os bisnetos estão mais longe, as avós cuidam mais deles do que eu. Eu fico até com um pouco de dor de cotovelo”, confessa num tom de brincadeira.