08 de julho de 2026
Internacional

Bombas contra torcedores matam 50

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Bagdá - Aumentou para ao menos 50 o número de iraquianos mortos em duas explosões de carros-bomba em Bagdá ontem, afirmou a polícia local. Os ataques ocorreram durante as celebrações pela vitória do time de futebol nacional sobre a Coréia do Sul na Copa da Ásia, e a maioria dos mortos eram torcedores em festa. Tiroteios durante as comemorações também mataram ao menos três pessoas ontem.

A TV estatal iraquiana chegou a divulgar um alerta de comandantes militares pedindo às pessoas para não usarem armas ou atirarem para o alto durante a comemoração. Apesar da advertência, vários iraquianos dispararam pistolas e rifles nas ruas. O som dos tiros ainda podia ser ouvido em Bagdá horas após o final da partida. Relatório preliminar da polícia fala em ao menos três mortos e 17 feridos na Capital iraquiana após os tiroteios comemorativos.

O jogo ocorreu pela semifinal da Copa da Ásia, e o Iraque venceu por 4 a 3 nos pênaltis, depois de empate sem gols no tempo regulamentar e na prorrogação. Com a vitória, o Iraque disputará pela primeira vez a final do torneio. O jogo será contra a Arábia Saudita no próximo domingo, em Jacarta, na Indonésia.

No último sábado, ao menos três pessoas foram mortas e 50 ficaram feridas em tiroteios após o Iraque ter eliminado a seleção do Vietnã nas quartas-de-final, numa partida realizada em Bangcoc, Capital da Tailândia.

Em meio à festa nas ruas, dois ataques a bomba atingiram torcedores ontem. A primeira explosão aconteceu por volta das 18h30 (11h30 de Brasília), quando um carro-bomba explodiu junto a uma multidão de iraquianos que comemoravam perto de uma famosa sorveteria em Mansour, região oeste de Bagdá, segundo a polícia e autoridades de saúde.

Ao menos 30 pessoas morreram e mais de 70 ficaram feridas no ataque, afirmaram autoridades. Cerca de 45 minutos depois, outro carro-bomba explodiu em meio a dezenas de carros cheios de torcedores, perto de um um posto de checagem do Exército em Ghadeer, no leste de Bagdá.

O ataque deixou ao menos 20 mortos, incluindo dois soldados, e cerca de 60 feridos, segundo autoridades locais. O ataque ocorreu quando grupos de todas as idades se amontoavam em cima de carros, picapes e microônibus, sacudindo bandeiras e camisas do Iraque, enquanto outros dançavam perto do posto militar.

As bombas reacendem a violência sectária entre a maioria xiita muçulmana e a minoria sunita árabe, que já deixou dezenas de milhares de mortos no Iraque. Os incidentes ofuscaram um raro momento de unidade no país. Até mesmo os iraquianos na região autônoma do Curdistão, no norte, ergueram bandeiras nacionais - os curdos normalmente encaram a bandeira como um símbolo árabe.

Milhares de torcedores foram para as ruas em todas as regiões de Bagdá, assim como Basra e Kerbala no sul, de maioria xiita, e cidades curdas como Arbil, Kirkuk e Sulaimaniya no norte. “Estou quase chorando de alegria. A vitória do Iraque com esse time harmonioso representa o modo como todos nós podemos viver juntos”, disse Nuri al Najjar, um torcedor de 30 anos em Basra.

Em Sadr City - o subúrbio no leste de Bagdá, de maioria xiita -, mulheres jogaram doces para os torcedores. Algumas famílias sacrificaram carneiros também como parte das comemorações. Lojas de sorvete e sucos distribuíram amostras grátis, um fato raro no distrito, dominado pela milícia Exército Mahdi do clérigo anti-americano Moqtada al Sadr.