Todos os anos, nosso grupo de amigos, formado por José Carlos Rodrigues Rocha (coordenador de geografia da USC), sua irmã Norma e Rita Chaim (professora de nutrição da USC), faz uma viagem em busca de conhecimentos. Assim, em 2006, no mês de dezembro, escolhemos cruzar os Lagos Andinos, na latitude de Puerto Montt - Bariloche.
Embora a viagem tenha se iniciado em Santiago do Chile e terminado em Buenos Aires, vamos nos ater apenas aos lagos.
A. Puerto Montt, cidade onde iniciamos nossa viagem, é um porto desenvolvido pela migração alemã no ano de 1852, com shoppings, mas sem um “pier” para a atracação de grandes navios (os turistas são transportados por lanchas). Sua “plaza” central é o ponto de encontro no verão chileno austral. Aqui ficamos hospedados no Hotel Don Vicente, com sua estrutura de madeira, seus apartamentos de mansardas e uma sala de refeições com a quilha de um veleiro.
B. Lago Llanquihue: saindo de Puerto Montt, passamos por Puerto Varas (habitado por alemães que chegaram depois de 1945), com destino ao Lago Llanquihue, margeado pelo vulcão Osorno, a 2.652 metros, coberto de neves eternas. Muitas vezes a cobertura de nuvens dificulta as fotos.
C. Petrohue: ainda de ônibus, paramos nos Saltos de Petrohue, um parque nacional (Vicente Peres Rosales), com rochas vulcânicas e águas verde esmeralda, fazendo frio em pleno verão. É uma paisagem magnífica de torrente andina. Ficam vários ônibus, de diferentes empresas, dando condições com um restaurante e instalações sanitárias de limpeza total.
D. Lago de Todos os Santos: chegamos ao porto de Petrohue, nos transferimos para um catamarã para atravessar o lago, que é imenso. Suas margens têm fazendas nas encostas e, que observamos, de gado leiteiro, com casas e estábulos. Uma viagem de mais de uma hora. O barco tem todas as comodidades e nossa bagagem é responsabilidade da operadora de viagem. O tempo estava magnífico e as águas muito calmas - principalmente para o José Carlos...
E. Peulla: chegamos ao porto de um vilarejo ecológico e, para atingirmos o hotel, onde faríamos o almoço, fizemos uma caminhada por uma trilha cercada e com tabuletas indicando a vegetação e o nome do local. É o paraíso para os amantes da natureza com muitos passeios para quem pode permanecer em Peulla. O almoço foi divino, salmão rosê (maior país do mundo na produção artificial), acompanhado de uma cerveja produzida em Valdívia (Kuns-tmann - das gute Bier).
Novamente na estrada, em direção a Puerto Frias, onde está a Aduana Chile/Argentina a 976 metros de altitude. Aqui procedemos as formalidades aduaneiras, muito bem recebidos pelos argentinos (da mesma forma do que os chilenos). A seguir saímos para o Lago Nahuel Huapi.
F. Lago Nahuel Huapi: muito bem instalados num grande catamarã, tendo a nossa direita a bela figura do vulcão Tronador, que nos acompanha na viagem, ao lado de gaivotas que vêm em busca de bolachas oferecidas pelos turistas. Chegamos ao Puerto Pañuelo, porto lacustre que serve a Bariloche. Ao alto, a visão do Hotel Llao Llao (cinco estrelas). Nossa operadora tinha uma van que nos levou a Bariloche para nos instalarmos no Hotel Nevada, no coração da cidade.
Aconselhamos a viagem, mas somente no verão do hemisfério sul, pois as temperaturas na Cordilheira dos Andes em outra estação dificultam o deslocamento.
Fizemos um planejamento adequado, inclusive consultando na Internet as condições do tempo nos dias em que estaríamos em cada cidade/país. O planejamento da operadora é muito bom e podemos afirmar: é assim que se planeja e executa o turismo.
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* Muricy Domingues é ex-professor de turismo da USC e Maria Luiza C. Domingues é professora e psicóloga.