Janelas tremeram e lustres balançaram acompanhando o som alto de um estrondo. Ontem à tarde, os moradores de Bariri (56 quilômetros de Bauru) se assustaram com um terremoto que atingiu 2,5 graus na escala Richter. O tremor durou cerca de três segundos e não causou nenhum dano na cidade. O abalo, que aconteceu às 15h40, também pôde ser sentido em Boracéia (41 quilômetros de Bauru) e Itaju (69 quilômetros de Bauru).
A funcionária pública Celeni Guarnieri Camargo, 57 anos, estava na manicure quando sentiu o tremor. “Foi um barulho muito grande. Como estávamos perto de um supermercado, pensamos que um caminhão tivesse batido por lá”, conta. Ela e a manicure saíram na rua para verificar o que aconteceu e encontraram mais pessoas assustadas. “Foi tudo muito rápido, mas na hora, deu medo”, revela. Ela ainda conta que o seu marido que estava em casa foi correndo checar o berço onde dormia a neta. “Ele pensou que tinha acontecido alguma coisa dentro de casa”, diz.
Uma funcionária da prefeitura, que preferiu não se identificar, conta que as janelas e as portas tremeram na sede do Executivo. “Foi um barulhão e tremeu tudo. Não chegou a quebrar nada, mas ficamos um pouco assustados”, relata. A Polícia Militar de Bariri informa que apesar do susto não houve nenhum relato de danos na cidade.
O professor doutor João Carlos Dourado, do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro, avalia que o abalo atingiu 2,5 na escala Richter. “O tremor foi detectado, mas considerado baixo. Como não foram identificadas as suas fases corretamente, ainda não foi possível detectar onde foi o centro”, explica.
O especialista observa que apesar de surpreender a população, tremores como o sentido pelos moradores de Bariri acontecem com mais freqüência do que se imagina. “São eventos normais. Em São Paulo detecta-se três ou mais desse tipo por ano”, calcula Dourado. Ele explica que esses tremores são as camadas da superfície da Terra se acomodando.
Só na região, já foram detectados outros quatro terremotos. Na noite de 6 de novembro de 1996, faltavam poucos minutos para as 21h quando os moradores sentiram a terra tremer em Areiópolis, num abalo de 3,3 na escala Richter. Esse foi o tremor mais forte já sentido na região. Segundo especialistas, o fenômeno dessa magnitude produz um efeito semelhante a um caminhão passando na rua. Esse foi o abalo sísmico mais forte já registrado na região
O tremor de ontem não foi o primeiro sentido em Bariri. Há 11 anos, a cidade tremeu com um terremoto de um pouco mais forte. Foram 2,9 na escala Richter. Em 1991, na cidade de São Pedro do Turvo (99 quilômetros de Bauru), o abalo acontecido em novembro de 1991 atingiu 3 graus. O terremoto mais recente na região foi bem leve. Moradores de Itirapina sentiram um tremor de 1,5 em 2005.
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O que é terremoto?
A camada mais superficial da Terra é chamada de litosfera. Ela é dividida em 12 partes menores chamadas placas tectônicas. Essas placas estão em lento e constante movimento, gerando deformação nas massas rochosas que as compõe. Quando o esforço é muito grande, ele supera o limite de resistência da rocha rompendo-a, originando uma falha geológica - e causando um terremoto. Parte da energia que se acumulou durante esse movimento é liberada sob a forma de ondas que fazem o terreno vibrar intensamente.
Quase todos os terremotos acontecem dessa forma. Mas eles também podem ser ocasionados por atividades vulcânicas ou pela própria ação do homem. Nesses casos, são chamados de sismos induzidos e são produzidos por explosões nucleares ou gerados pela criação de grandes reservatórios hidrelétricos.