08 de julho de 2026
Geral

Aperfeiçoamento exige dedicação

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

A decisão de iniciar uma pós-graduação não pode ser tomada unilateralmente. Essa é uma das recomendações feitas pelos editores do Guia do Estudante de Pós-Graduação e MBA deste ano. Segundo a publicação, o apoio da família é fundamental em um momento que será preciso abrir mão de certos compromissos pessoais.

Contar para o chefe que você está fazendo um curso de pós-graduação também é importante porque vai chegar uma hora que será preciso negociar com ele uma folguinha no expediente por causa da carga de estudos exigida pelo curso ou por causa do horário das aulas.

De um modo geral, é necessário uma boa dose de determinação para ingressar na pós. Afinal de contas, ela mexe com a vida pessoal dos alunos, porque é preciso conciliar compromissos particulares, com o trabalho e os estudos. Se o indivíduo for casado e tiver filhos para cuidar, o desafio é ainda maior.

Essa é a realidade do analista de sistemas Luís Alexandre da Silva. Ele trabalha das 8h às 18h e duas vezes por semana dá aulas à noite. Aos sábados (pelo menos dois por mês), passa o dia todo no curso de especialização em administração e gestão integrada de pessoas e sistemas de informação.

Em meio a essa correria, pouco tempo sobra para ficar com a família. Por isso, separou o domingo para passear com a esposa e a filha de um ano e meio. “Faço tudo o que preciso fazer durante a semana, porque no domingo eu procuro ficar com a família”, comenta Silva. Segundo ele, essa é a forma que encontrou para relaxar, curtir a esposa e acompanhar o crescimento da filha.

A jornalista Renata Di Carvalho, 29 anos, também trabalha e tem filho pequeno para cuidar. Mesmo assim, decidiu voltar aos estudos. Antes de iniciar o curso de especialização em comunicação nas organizações, este ano, ela lembra que estava desempregada e enxergava nessa atitude uma oportunidade de oferecer ao mercado de trabalho uma qualificação melhor. Mas não só isso. “Eu acredito que as chances de arrumar um emprego aumentam se você tem um diploma de pós-graduação, mas as vantagens de voltar a estudar vão além”, diz ela.

“(Um curso de pós) ajuda não só no crescimento profissional como também no pessoal. Ele abre seu campo de visão do mundo”, sustenta. Atualmente, Renata está empregada.

Criticidade

Quem também enxerga na pós-graduação uma oportunidade de crescer como pessoa é o jornalista Leonardo Valle, 23 anos. “O mestrado torna as pessoas mais críticas e tolerantes à opinião alheia”, afirma ele, que desde março está se preparando para a seleção no curso de mestrado em comunicação na Unesp.

Leonardo não é casado. Portanto, tem mais tempo para se dedicar aos estudos. Segundo ele, se não for selecionado na prova deste ano continuará tentando nos anos seguintes até conseguir.

A pós-graduação é sonho também para o bancário Rodrigo Rossi, 29 anos. Formado em informática com ênfase em gestão de negócios, ele quer fazer MBA em gestão financeira, controladoria e auditoria. Com mais esse curso no currículo, Rodrigo acredita que chegará mais próximo do perfil que ele considera ideal para a profissão que escolheu.

O bancário vem “namorando” o curso há cerca de um ano e meio. Mas o alto custo da mensalidade, para os padrões financeiros dele, o impede de fazer a inscrição e dar um salto em sua vida profissional. A saída é esperar por uma bolsa de estudo paga pela empresa onde trabalha. Enquanto ela não sai, Rodrigo continua sonhando com vôos mais altos em sua carreira.