A “onda verde” chegou para ficar em Bauru. Programas que visam combater as prováveis causas do fenômeno do aquecimento global têm obtido adesão maciça da parte da população. Lançado no final do último mês, o projeto “Carbono Zero”, do Instituto Ambiental Vidágua, já conta com 85 participantes. São pessoas comuns que resolveram mudar os hábitos diários e colaborar com projetos de reflorestamento da entidade, na esperança de impedir que as mudanças climáticas em curso no planeta venham a comprometer o futuro da humanidade.
Além dos cidadãos ecologicamente corretos, nove empresas e dois clubes do Rotary também resolveram tomar parte do projeto. Outras 25 companhias bauruenses já demonstraram interesse em aderir à iniciativa.
A idéia básica do “Carbono Zero” é fazer com que cada indivíduo, entidade ou empresa da cidade saiba em quanto colabora para lançamento dos gases responsáveis pelo “efeito estufa” no ar. “Em média, uma pessoa comum emite três toneladas anuais de carbono na atmosfera, mas esses números podem variar. Alguém que viaje muito de avião, por exemplo, pode gerar até 20 toneladas de ‘gases estufa’”, explica o diretor de relações institucionais do Vidágua, Kláudio Cossani Nunes, que está à frente do projeto.
Depois de quantificar a própria produção de carbono, o participante passa a integrar iniciativas que visam compensar essas emissões. A principal delas consiste no apoio aos projetos de reflorestamento desenvolvidos pelo Vidágua.
Uma pessoa que produz três toneladas anuais ao ano teria de plantar 21 árvores para zerar sua cota de carbono. “Cada grupo de três árvores é capaz de ‘seqüestrar’ uma tonelada de CO2”, explica Nunes.
Além do cultivo de mudas - que é feito pela própria entidade, mediante o pagamento de uma taxa mensal de R$ 20,00 por árvore - o projeto prevê ainda que os participantes mudem de atitude. “Não é nada drástico. Não queremos fazer ninguém sofrer”, brinca Nunes.
No caso de pessoas comuns, o projeto prevê medidas simples, como dar preferência ao transporte coletivo e aos combustíveis alternativos e a utilização racional dos recursos naturais. As empresas, por sua vez, passam a receber do Vidágua uma assessoria que lhes permite continuar atuando com competitividade no mercado, só que de maneira sustentável.
“São mudanças simples e baratas de serem implementadas, que no final acabam ajudando a reduzir os custos de produção para o empresário”, garante Nunes. Ele relata o caso de uma companhia em Bauru que conseguiu reduzir a conta de água em R$ 7.500,00. “Ou seja: além de trazer ganhos futuros para o meio ambiente, o projeto também gera vantagens imediatas ao participante”, avalia Nunes.
Economia
Embora ainda não tenha aderido ao “Carbono Zero”, uma escola de formação de vigilantes já adota diversas das medidas recomendadas pelos membros do Vidágua. A razão para a empresa haver entrado na “onda verde” veio em decorrência de um problema bastante imediato.
“Nossos cursos têm 16 dias de duração. Durante esse período, os alunos costumavam usar nossas instalações como se estivessem na própria casa. Era complicado, pois alguns chegavam a perder horas no banho. Nossas contas de água e de energia iam lá para cima”, conta João Xavier, responsável pela empresa.
O problema era tão sério que, num primeiro momento, a direção da escola pensou em instalar controladores de tempo nos chuveiros. “Mas logo eles perceberam que esse não era o caminho”, conta Sílvio Luís Arruda, 43 anos, que ajudou, na condição de colaborador, a desenvolver o projeto de uso racional de recursos naturais da escola. Atualmente ele se encontra aposentado por invalidez.
Após ouvir os funcionários, a direção da empresa percebeu que a única forma de resolver a questão seria através de um trabalho de conscientização com os alunos. Hoje, todos que participam dos cursos de formação da empresa recebem uma cartilha - elaborada em parceria com o Vidágua - com noções sobre uso racional dos recursos naturais.
Xavier estima que, depois da implantação do programa, houve redução na ordem de 20% nas contas de água e energia da escola. A exemplo de outras empresas em Bauru – uma na área de baterias, por exemplo - a escola de formação pretende levar o projeto de uso racional da água à comunidade, por meio de projetos com escolas municipais e particulares da cidade.