08 de julho de 2026
Bairros

Prefeitura vai compensar emissões próprias

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Criar meios para compensar as próprias emissões de carbono e, quem sabe, até mesmo reduzi-las. Estas serão as primeiras iniciativas a serem adotadas pela Prefeitura de Bauru com relação ao problema do aquecimento global. Embora saiba que qualquer medida tomada no âmbito municipal terá poucos reflexos no processo de aumento da temperatura do planeta, o secretário municipal do Meio Ambiente, Rodrigo Agostinho de Mendonça, que está à frente do projeto, garante estar animado com a idéia.

“O aquecimento global é uma coisa muita ampla e só poderá ser freado no momento em que houver uma mudança na matriz energética do mundo, hoje baseada na queima de combustíveis fósseis (petróleo e carvão). Ainda assim, atitudes localizadas, como as que estamos planejando, são importantes, pois servem para conscientizar a população da gravidade do problema”, pondera ele.

Já que é para dar exemplo, a prefeitura começará cuidando da própria frota. Mês passado, teve início levantamento que pretende identificar em quanto os veículos oficiais estão colaborando para a emissão de gases do “efeito estufa”. Dados preliminares apontam que, só no ano passado, carros e caminhões oficiais lançaram cerca de 1.850.00 de quilos de gás carbônico nos ares de Bauru.

Foram contabilizados apenas os veículos movidos a diesel e a gasolina. “O álcool é uma fonte renovável de energia, que captura o carbono quando está sendo produzido”, explica Agostinho. O inventário das emissões do município seguirá pelos próximos dois anos e, quando estiver concluído, servirá para nortear projetos que visem neutralizar ou, quem sabe, até mesmo zerar essa produção de resíduos.

Agostinho calcula que a prefeitura teria de plantar cerca de 11 mil mudas, nos próximos anos, para poder compensar essa emissão de gases. Em média, três árvores são capazes de capturar uma tonelada de carbono ao ano.

A prefeitura já tem em andamento um programa de recuperação de matas ciliares, que visa cultivar 400 mil mudas nas margens dos córregos do município. Além disso, a secretaria estuda formas para poder tornar a frota do município menos poluente.

“O problema é que grande parte dos nossos veículos tem muitos anos de uso. Temos de avaliar se vale a pena convertê-los para que funcionem com combustíveis alternativos ou se o melhor seria aguardar para adquirir carros e caminhões novo já adaptados”, diz ele.

Riscos

As propostas a serem adotadas pela prefeitura começaram a ganhar corpo na Semana do Meio Ambiente, realizada no começo do último mês. Aproveitando a ocasião, foi realizado um encontro com pesquisadores e ativistas no Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista de Bauru (Unesp).

Denominada “Fórum Municipal de Mudanças Climáticas”, a reunião tentou traçar algumas tendências para o clima da cidade. O participantes do encontro chegaram à conclusão de que, muito provavelmente, Bauru passará a ter invernos mais secos do que tem tido até agora.

A tendência, aliás, já havia constatada pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (cuja sigla, em inglês, é IPCC), em sumário divulgado em fevereiro deste ano. “Ele (o órgão) dá como quase certa (90% de chances) essa redução de pluviosidade em nossa região”, afirma o diretor do IPMet, Roberto Calheiros, que analisou o documento do IPCC a pedido da reportagem do Jornal da Cidade. Se as tendências se confirmarem, haverá redução de 20% na quantidade de chuva no município no Inverno.

“Isso cria riscos de incêndios florestais e de falta de água nos períodos de seca prolongada”, avalia Agostinho. Para minimizar tais problemas, a prefeitura pretende criar uma brigada subordinada à Defesa Civil Municipal, que ficaria responsável pelo combate ao fogo em matas. Além disso, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) já estuda novos locais (córregos da zona rural) que poderiam ser usados para complementar o abastecimento da cidade.

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Gás de lixo

A exploração do gás metano (CH4) produzido pelo Aterro Sanitário de Bauru é outra medida que a prefeitura pretende colocar em prática, na tentativa de combater o processo de aquecimento global.

“O metano tem uma capacidade de reter calor na atmosfera muito maior do que a do CO2, por exemplo. O simples ato de você o queimar e o transformar em gás carbônico já ajuda a evitar que o ‘efeito estufa’ se agrave”, explica o secretário municipal do Meio Ambiente, Rodrigo Agostinho de Mendonça, co-responsável pela idéia.

De acordo com ele, a proposta de exploração do gás do aterro sanitário já teria tido o aval do prefeito Tuga Angerami (sem partido). Agostinho aguarda abertura de processo de licitação, para poder colocar a medida em prática.

Além de reduzir a emissão de gás metano no aterro, o projeto geraria créditos de carbono (papéis que podem ser comercializados como hoyallites no mercado financeiro) para o município. “Os recursos obtidos com a venda desses créditos poderiam ser usados, posteriormente, para viabilizar a construção do novo aterro sanitário da cidade”, espera Agostinho. Atualmente, Bauru gera cerca de 220 toneladas de lixo ao dia.