10 de julho de 2026
Bairros

Para pesquisador, aquecimento global é terrorismo

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Um esforço louvável, porém inútil. “Se você quiser plantar árvores ou reciclar seu lixo, ótimo, pois vai ajudar a embelezar sua vizinhança e reduzir a retirada de recursos da natureza, mas isso não trará influência alguma sobre as mudanças climáticas que estão em curso no planeta.” Quem afirma isso, com tanta propriedade, é o diretor do instituto de ciências atmosféricas da Universidade Estadual de Alagoas (UFAL), Luiz Carlos Baldicero Molion, 61 anos.

À primeira vista, a afirmação do pesquisador, graduado em física pela Universidade de São Paulo (USP), PHD em meteorologia pela Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, pós-doutor em hidrologia pela Universidade da Inglaterra e membro do Instituto de Estudos Avançados de Berlim, na Alemanha, não aparenta trazer nenhuma novidade. Hoje, a maioria dos cientistas admite que o aquecimento global é um processo irreversível, que dificilmente poderia ser impedido por atitudes isoladas.

A diferença nesse caso, porém, é que Molion não acredita que o aquecimento global possa ser impedido pelo simples fato de que o fenômeno não estaria ocorrendo. Isso mesmo, por ele, as pessoas deveriam esquecer tudo aquilo que ouviram falar até hoje sobre o processo de elevação das temperaturas da Terra.

“Essa é tese terrorista e não tem fundamento científico algum. Imagine, daqui 40 anos, quando as previsões que estão sendo difundidas na mídia não se confirmarem. Como os pesquisadores farão para recuperar a credibilidade perdida?”, diz Molion. Quando fala dessa forma, o professor coloca em xeque afirmações de órgãos mundialmente respeitados, como Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (cuja sigla em inglês é IPCC).

“O IPCC faz suas projeções com base em modelos numéricos. Não tenho nada contra esse método, só que ele não é adequado para fazer previsões climáticas”, diz Molion. De acordo com ele, a forma que o Painel utiliza para realizar seus cálculos analisa de maneira incorreta as influências das nuvens, das correntes marítimas e da temperatura da superfície dos oceanos.

“Eles até levam esses fatores em conta, só de maneira muito simplificada. Por exemplo: nuvens baixas resfriam planetas, ao passo que as altas demais podem elevar as temperaturas. Um sistema que considerar nuvens altas para gerar modelos certamente terá projeções de aquecimento”, diz ele. Molion sustenta que as mudanças climáticas observadas no planeta, nas últimas décadas, são resultado dos ciclos de manchas solares.

Segundo ele, nos últimos 90 anos a Terra tem sofrido a influência de períodos em que o sol produziu mais energia. Do ano passado em diante, porém, a estrela teria iniciado um ciclo em que a produção de manchas solares é menor. Essa fase terá duração, de acordo com ele, de 11 anos e seu ponto mínimo - quando a Terra receberá menos radiação - será dentro de três anos.