07 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Mediunidade é simples dom ou compromisso e responsabilidade?


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Dom, segundo Aurélio (Ed. Nova Fronteira), é poder, dádiva, presente, mas também faculdade inata, natural, extensiva aos demais como os sentidos nos animais. Se é então natural, não exclusiva, não é portanto privilégio de alguns, o que seria injustiça.

Assim é também a mediunidade: todos somos médiuns (do latim meio, intermediário), incipientes ou ostensivos, em grau maior ou menor, dotados de uma ou mais faculdades (tipos diferentes como vidência, audiência, psicofonia, psicografia, cura, desdobramento, cetro e precognição, etc.).

É a faculdade ou capacidade que têm os seres vivos de entrarem em intercâmbio, de se comunicarem com espíritos de ou em outras dimensões; somos, em verdade/ realidade, espíritos encarnados (almas) em contato permanente ou constante com espíritos (desencarnados, almas sem o corpo físico, tridimensional). Além das faculdades em ação, há intercâmbio constante de idéias, pensamentos, ideais, emoções e sentimentos - de tal ordem ou sorte que eles influem muito mais em nossa vida do que imaginamos, para o bem ou para o mal, conforme nossa condição moral - segundo A. Kardec.

Além de ser natural e extensiva, é igualmente neutra e independente de qualquer fator externo como religião, etnia, cor, gênero, classe social ou econômica, condição cultural ou intelectual, etc. Seu exercício ou prática, por sintonia e afinidade, é influenciada pelo grau de moralidade e da espiritualização de cada um (médium); fatores internos ou intrínsecos de cada criatura como vícios ou virtudes.

Depende a mediunidade do grau de compromisso e de responsabilidade de cada um; de seu ajuste moral, aprimoramento intelecto-cultural, de sua auto-disciplina (de idéias e pensamentos, de emoções e sentimentos) do propósito e ideal de servir para o bem comum o progresso geral. Se “o diploma de médico pertence a Jesus”, segundo Dr. Bezerra de Menezes, o dom da mediunidade é compromisso com Jesus, que nô-lo consigna, da qual somos usufrutuários ou depositários fiéis.

Pode servir para resgate de dívidas passadas e o adiantamento espiritual do médium, bem como para a solução dos problemas, enfermidades diversas e o progresso geral da Humanidade. Mas se usada sem disciplina e bons propósitos - isto é, para o mal - pode ser retirada ou se perverter, levando o médium ao desequilíbrio, obsessão, loucura e até a morte.

Livros como O Livro dos Médiuns, de A. Kardec, e as obras subsidiárias de Chico Xavier são indicados p/ estudo, educação e desenvolvimento da mediunidade.

Rubens C. Colacino