10 de julho de 2026
Geral

Apesar do frio, carros antigos atraem grande público

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O frio da manhã de ontem em Bauru não intimidou o público que compareceu em massa ao 9.º Encontro de Carros Antigos do Centro Oeste Paulista, realizado no Parque Vitória Régia. O evento anual, realizado desde 1999, faz parte da programação de aniversário da cidade que na quarta-feira completará 111 anos.

O mecânico Osidinei Arcides Daniel, um italiano que socorreu muitos proprietários de veículos Ford em décadas passadas, foi escolhido patrono da edição deste ano. O encontro foi também uma oportunidade para os apaixonados por carros conhecerem os lançamentos e produtos usados nos veículos.

Comerciantes ambulantes não perderam a chance de vender artesanatos, comidas, bebidas e peças automotivas. Para Gilberto Barbosa, 49 anos, o evento, que reuniu cerca de 250 carros antigos, foi um resgate do passado. “É com prazer que vejo os carros antigos na forma original. Procuro ver os detalhes, é uma paixão”, disse.

Para Carlos Santini, outro visitante, observar carros antigos é reviver o passado. “Vendo esses carros lembrei de meu pai que na minha infância me levava para passear em uma Chimbica”, contou.

Já para Rafael Melo, 27 anos, o evento é prazeroso porque ele se interessa por veículos de modelos que não estão mais no mercado. “Eu trouxe minha filha Júlia de 4 anos para ela ver como eram os carros antigamente.” Para Samuel Cunha, 25 anos, que estava com o filho Davi de um ano e meio, o encontro satisfez algumas curiosidade. “Os carros são muito diferentes e isso aguça a nossa curiosidade.”

Estrela

O Ford modelo Speedster, de 1914, foi um dos veículos mais antigos expostos no Vitória Régia e atraiu inúmeros curiosos. O proprietário, colecionador e médico José Carlos Tosi garante que o veículo anda. “Participei do rally internacional com ele, viajei do Rio para São Paulo”, relata.

Aliás, todos os carros expostos têm que funcionar, uma regra do Clube de Carros Antigos de Bauru que em parceria com a Secretaria de Cultura realizou o evento. O Ford conversível 1940 brilhando como novo chamava a atenção dos visitantes.

Tosi, que é o proprietário do veículo, tem uma história que mistura infância e paixão. “Um carro semelhante a esse permitiu que meu pai, um vendedor pracista, formasse os três filhos em medicina. Consegui comprar um. Sei que no Brasil há somente mais um”, conta, emocionado.

O carro vale cerca de R$ 150 mil e gasta seis litros de gasolina por quilômetro. Seu diferencial em relação aos carros modernos é que a lataria não amassa e, portanto sua segurança é menor, explica Tosi. “Os carros modernos amassam e não machucam tanto. Ele não entorta, mas machuca”, frisa.

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Frota

O mais antigo colecionador de Bauru, José Carlos Landro, estava no evento no Vitória Régia com seus 22 carros. O Ford 1929, conhecido por Baratinha, era o que mais chamava a atenção. “Ele tem dois lugares no interior do veículo e mais dois do lado de fora, conhecido por banco da sogra.”

O Fairlane 500, de 1963, usado pela polícia americana, também era vedete. Banco de couro, hoje considerado uma sofisticação, o carro faz cinco quilômetros com um litro de gasolina e vale cerca de R$ 45 mil, diz o seu proprietário, Sérgio Antunes de Oliveira.

Já o Lotus Seven, 1960, é um carro esportivo que pode ser montado com um kit que o proprietário, Inácio Pupo pretende comercializar. “É um carro usado na Inglaterra, Europa e Argentina.”

Além das estrelas antigas, o visitante pode ver os mais novos, mas fora de linha: Opala, Maverick, Gordini, Aero Williys, DKV, Galaxy, Fusca, SP2, Landau e tanto outros modelos.