Mesmo com os termômetros marcando 8 graus - temperatura superior à registrada e sentida anteontem, 5,9 graus (a menor do ano) - a sensação térmica durante a madrugada de ontem em Bauru foi de 0 graus. As informações são do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet).
De acordo com a meteorologista do instituto, Lúcia Gularte, às 6h35 de ontem, a velocidade do vento era de 60 quilômetros por hora, motivo da sensação do frio ter sido maior do que o medido pelos termômetros. A velocidade do vento na madrugada de ontem é semelhante a registrada durante tempestades e chega a causar inclusive destelhamentos.
Às 14h30 de ontem, quando a temperatura era de 17 graus, a sensação era de 9, enquanto a velocidade aproximada do vento era de 46 quilômetros por hora.
“O frio vai continuar nos próximos três dias por causa de uma intensa massa de ar frio e seco que veio da Argentina, passou pelo Uruguai e chegou ao Sul do Brasil e São Paulo. A sensação térmica será de temperaturas mais baixas ainda, devido aos fortes ventos em superfície”, diz Gularte.
Nos próximos dez dias, não há previsão de chuva na cidade. O tempo seco pode contribuir ainda mais para a queda da umidade relativa do ar, cujo índice vem caindo desde quinta-feira justamente por conta da chegada da massa de ar frio e seco. Ontem, segundo a meteorologista, a umidade do ar em Bauru estava baixa, em torno de 30%.
Na pele
Durante toda a sua vida, o estudante Felipe Jacomelli, 18 anos, não se lembra de ter sentido tanto frio como nesses últimos dias. “Me pegou desprevenido”, diz o rapaz, logo depois de tomar um café, numa cafeteria da cidade, na companhia da namorada, Luísa Soares, e da amiga, Mayara Burgo, ambas de 17 anos.
“Agora mesmo comentamos que estávamos morrendo de frio”, coloca Burgo. Mas, mesmo com a baixa temperatura, o grupo de amigos não pára em casa. “O jeito é sair mais cedo e voltar mais cedo para casa”, explica Jacomelli. No sábado, os três tiveram coragem de ir a um barzinho e, em seguida, a uma danceteria de Bauru. “Mesmo dentro da boate, sentimos frio”, conta o jovem.
Para aquecer o corpo, o secretário municipal de Negócios Jurídicos, Emerson Silva Ribeiro, pediu uma sopa na mesma cafeteria na noite de ontem.
Apesar de sentir na pele o frio, ele ainda não considera o atual inverno tão rigoroso como o de dez anos atrás. “Tecnicamente estamos no inverno, mas, por conta da nossa posição geográfica, nunca tivemos invernos muito gelados. Então, sofremos com qualquer friozinho”, coloca.