08 de julho de 2026
Geral

Paciente espera por até 10 horas no PS

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de um curto período de calmaria, o atendimento no Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru voltou a ser motivo de protestos e revolta. Ontem à noite, o clima de nervosismo e indignação das pessoas que aguardavam por consulta ou internação era tão intenso que a Polícia Militar (PM) enviou uma viatura ao local para evitar que a tensão acabasse em violência.

A razão do caos foi a demora no atendimento que fez algumas pessoas esperarem 10 horas, como Estela Corrêa, 43 anos, que acompanhava a filha de 22 anos, vítima de um entorse no pé. Elas chegaram às 10h no PS e às 20h ainda esperavam por um especialista. “O clínico não engessou porque não havia ortopedista aqui. Nunca vi isso”, afirmou Estela, nervosa. Mãe e filha disseram que permaneciam à espera de uma solução.

A dona de casa Mônica Cristina Pereira Miguel, 36 anos, também havia chegado de manhã, por volta das 10h30, com dores na coluna. “Disseram que iam passar as emergências na minha frente. Como eles sabem que o meu caso não é emergência se ninguém me consultou?”, questionou. “Não comi nada o dia inteiro, estou com fome, tenho uma criança para amamentar em casa mas estou aqui até agora e vou esperar”, disse.

Assim como Estela e Mônica, dezenas de homens e mulheres aguardavam agitados, enquanto os poucos funcionários do PSC pareciam não saber por onde continuar - ou começar - o trabalho. A impaciência era explícita de ambos os lados. “Vamos fazer o favor de conversar menos e prestar atenção nos nomes que estão sendo chamados”, disse certo momento uma das funcionárias do PS pelo microfone. Cercada por pessoas à espera de um médico, a assistente social se limitou a dizer “quem quiser fazer uma reclamação deve vir até minha sala e fazer por escrito”.

Escolha

Além da demora, muitas pessoas acusavam os funcionários do PS de escolher quem deveria ser atendido. “Eles colocam quem eles querem. Entrou muita gente na frente hoje que chegou depois, foi atendida e foi embora”, afirmou o pintor Atílio Delarmelindo Neto, 64 anos, que havia chegado às 13h.

Com o olho irritado, ele temia pela visão. “Meu olho está inflamado, se amanhã eu perder a vista, quem vai ser responsável?”, argumentou. Outras pessoas reclamavam que suas fichas também teriam sumido, o que teria atrasado o atendimento.

O atleta Oziel Pereira da Silva, o Índio, 29 anos, vítima de um recente acidente de motocicleta, desistiu de ser atendido e voltou para casa. “Cheguei às 13h e só às 18h disseram que eu teria que esperar o médico que entra às 19h para ser atendido”, contou. Com dores na perna e nos pés, Índio quer voltar a treinar e disse que hoje vai tentar ser atendido no PSC.

Ontem, por volta das 19h40, a coordenadora do Conselho Gestor do PSC Central, Rosemary Lopes de Moura, chegou ao Pronto-Socorro para tentar amenizar o problema. “Vou ficar aqui até todo mundo ser atendido”, disse, preocupada com as pessoas que haviam chegado pela manhã.

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Médico de licença

Segundo Maria Regina Trota Pinheiro, diretora do corpo clínico do Pronto-Socorro Central, o atraso no atendimento pode ter sido causado pela ausência do cirurgião ortopedista, que de acordo com ela, está de licença médica. “Segunda à tarde é um dia complicadíssimo, nós estamos com poucos médicos... Só tinham três clínicos lá porque o ortopedista estava de licença. Infelizmente o povo tem que ter paciência”, disse em entrevista por telefone.

A diretora, médica nefrologista, explicou que nem sempre é possível encontrar um profissional para a reposição no caso de licença, que é sempre imprevisível. “Quando não tem ortopedista, fica complicado. Os clínicos têm que atender ortopedia, mas eles priorizam os casos de urgência”, afirmou. Ela acreditava que a equipe de médicos que assumiu o plantão às 19h, “mais ágil”, iria colocar o atendimento “em dia”. A reportagem tentou, mas não conseguiu ouvir a direção do Pronto-Socorro Central até o fechamento desta edição.