São Paulo - Com uma temperatura de 6,4ºC, a cidade de São Paulo teve ontem sua madrugada mais fria desde 2001, de acordo com a medição do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Naquele ano, os termômetros registraram 5,6ºC. A aferição do instituto é feita em Santana (zona norte de São Paulo). A máxima ontem ficou em 16ºC.
A menor temperatura do dia no Estado foi registrada em Campos do Jordão, com 1,6ºC negativo. Houve geada. A queda de temperatura foi ocasionada por uma forte massa de ar frio proveniente da região Sul do País, que chegou a São Paulo no sábado. A previsão do Inmet é que as temperaturas comecem a subir hoje: mínima de 7ºC e máxima de 21ºC. O céu deverá ficar parcialmente nublado, com névoa úmida ao amanhecer. Na serra da Mantiqueira, onde se localiza Campos do Jordão, há previsão de nova geada.
A diminuição do frio deverá seguir até sexta-feira, quando chega uma nova massa de ar. Até o fim de semana passado, a média deste mês estava cerca de 2ºC acima da média para julho, que é de 11ºC. “Como estava mais quente, a chegada da massa de ar frio causou ainda mais impacto”, disse a meteorologista do Inmet Neide Oliveira.
Apesar do frio intenso, não houve registros de mortes ocasionadas pelas baixas temperaturas na capital paulista, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública. A mais baixa temperatura em São Paulo registrada pelo Inmet ocorreu em julho de 1994, quando os termômetros marcaram 0,8ºC.
Os dados do Inmet são os oficiais da cidade. O Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), que pertence à prefeitura, também monitora a temperatura no município, em diversos pontos. A temperatura mais baixa de ontem foi registrada em Parelheiros (zona sul), com 2,9ºC - a menor do ano. Até então, a madrugada mais fria havia sido registrada em 5 de junho, também em Parelheiros (3,6ºC).
O CGE registrou ainda 7ºC no Butantã (zona oeste), 6,8ºC na Consolação (centro) e 6ºC em Ermelino Matarazzo (zona leste).
A temperatura mais baixa do País ontem foi registrada na cidade gaúcha de Jaguarão, que teve mínima de 2,6ºC negativos, segundo o Inmet.
O instituto registrou também 1,6ºC negativo em Urubici (SC). Porto Alegre e Florianópolis tiveram mínimas de 6,3ºC e 7,8ºC, respectivamente. A madrugada mais fria do ano no Sul foi anteontem, quando o instituto registrou 5,6ºC negativos em Lages (SC) em Cambará do Sul (RS).
Ressacas
A Marinha informou que um ciclone extratropical registrado na semana passada é a causa da elevação da altura das ondas e ressacas em várias partes da costa brasileira. Somente ontem o Serviço Meteorológico Marinho emitiu oito alertas para as regiões Sul, Sudeste e parte do Nordeste do País. As ondas podem atingir de 2,5 metros a três metros de altura e se chocar contra o litoral avançando na areia da praia até hoje.
De acordo com o Serviço Meteorológico Marinho - mantido pelo Centro de Hidrografia da Marinha, órgão da Diretoria de Hidrografia e Navegação - em determinadas horas do dia elas podem atingir de 4 metros a cinco metros de altura devido aos efeitos da lua cheia.
Segundo o comando do Serviço Meteorológico, os efeitos do ciclone extratropical estão sendo potencializados devido a lua cheia - quando ocorrem variações de maré - e, devido a isso, a altura das ondas está acima da normalidade em relação a outros eventos de ciclone extratropical. No entanto, não existe motivo para alarme e não foram registrados acidentes devido às ondas, ainda segundo o Serviço Meteorológico Marinho.
Esse quadro, segundo a Marinha, teria sido o responsável pelo mar agitado e pela ondas que se chocaram no sul do litoral de Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro provocando estragos no litoral dessas regiões. Para a quarta-feira, regiões do sul da Bahia e do Sergipe devem sofrer eventos de ressaca, ainda segundo a Marinha. O mar deverá voltar à normalidade apenas amanhã.
Estragos
Em Mongaguá (litoral sul paulista), a ressaca danificou muretas, calçadas, rampas de acesso à praia, canteiros e jardins, derrubou vários coqueiros e inclinou alguns postes de luz, segundo a assessoria de imprensa da prefeitura. Os trechos mais atingidos foram os bairros Vila São Paulo, Vera Cruz, Jardim Aguapeú, Jardim Praia Grande e Itaóca. Na Vila São Paulo, a força da maré abriu uma cratera de aproximadamente 20 metros de diâmetro por um metro de profundidade. No bairro Vera Cruz, as ondas solaparam parte da calçada, abrindo uma vala junto à mureta da avenida, ainda segundo a prefeitura.
Ao menos 100 metros de muretas foram destruídas no parque turístico de Peruíbe (litoral sul de SP) e dois quiosques de madeira tiveram suas fundações abaladas e correm o risco de cair. Desde sábado foram retirados 30 caminhões de areia em frente ao mar na avenida Mário Covas Júnior.
Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, ontem o pico de maré foi registrado às 15h54 (1,5 metros). Em Itanhaém, também no litoral sul paulista, a administração municipal calcula um prejuízo próximo a meio milhão de reais com a ressaca.
Segundo a prefeitura, os efeitos da forte ressaca atingiram principalmente a avenida Getulio Vargas (orla da praia do Centro), no centro da cidade. Uma cabine de madeira do Corpo de Bombeiros (Guarda Vidas), foi destruída pela força das ondas. Para conter a força das águas, foram utilizados 60 caminhões carregados de pedra.
Segundo a prefeitura de Itanhaém, eles foram usados para formar uma espécie de barreira de contenção. Os moradores das praias dos Pescadores e Nova Itanhaém foram avisados de que o avanço do mar poderá avançar até a rua.
No Rio, a ressaca atingiu as praias da orla e levou areia para as pistas e calçadões. O lixo invadiu as praias da Urca, Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes. A prefeitura deslocou uma equipe de 70 pessoas da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) para fazer o trabalho de limpeza. No trecho entre o Jardim Alah e o Leblon, cerca de 35 garis atuam nas pistas, varrendo e removendo a areia, que é toda devolvida à praia, segundo a prefeitura. A ciclovia e o calçadão foram liberados no início da tarde de ontem e a previsão é de que o trabalho termine até o final da tarde de ontem.
Em Copacabana, 16 garis atuam removendo a areia na Avenida Atlântica, no trecho entre as ruas Bolívar e Miguel Lemos. À noite, as pistas serão lavadas com um carro-pipa. Uma aviso da Capitania dos Portos de que a maré poderá se elevar ontem deixará equipes do Comlurb de plantão.
No final de semana o mar esteve agitado em todo o litoral catarinense. Foram registrados eventos de ressaca no litoral Sul e na grande Florianópolis provocando problemas na praia do Campeche.