08 de julho de 2026
Auto Mercado

Dr. Automóvel: Combustível aditivado

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

É difícil para algumas pessoas decidirem o combustível na hora do enchimento do tanque, dada a grande variedade de oferta nos postos. Claro que estou me referindo a postos bons, sérios e confiáveis. A maioria oferece pelo menos gasolina comum e aditivada, além de álcool. Outros incluem diesel na oferta. Alguns mais completos oferecem gasolina comum, aditivada ou Premium (de alta octanagem), além de álcool comum e aditivado, diesel comum, filtrado ou aditivado, e até GNV. Quem não sabe as diferenças se perde, ou fica fazendo continhas de centavos achando que está levando uma enorme vantagem.

Claro que o primeiro critério de escolha é pelo tipo de combustível que seu motor aceita. Parece incrível, mas logo que as fábricas lançaram motores multicombustíveis, que aceitam qualquer mistura entre gasolina e álcool, porém não aceitam outro combustível além destes dois, teve gente que abasteceu com diesel, pois era mais barato... e ainda reclamou que a fábrica não especificou qual combustível não podia!

O que nos interessa hoje é se, dentro do mesmo tipo de combustível, se vale a pena ou não usar a versão aditivada. Em minha opinião, vale desde que o posto não abuse do preço.

Vejamos o caso da gasolina. Não confundamos os três tipos disponíveis: a gasolina Premium é uma gasolina especial com octanagem mais alta, especial para motores de alto desempenho e elevada taxa de compressão, daí seu preço ser bem diferenciado. É uma gasolina mais seca (menos lubrificante) e mais forte, e não trará diferença significativa no desempenho se o motor não for adequado para recebê-la.

Já as gasolinas dos tipos comum e aditivada têm a mesma octanagem e servem para qualquer motor nacional. A diferença está nos aditivos que uma tem e a outra não. Muita gente pensa que gasolina aditivada é mais forte do que a comum, o que não é verdade. Os aditivos na realidade são detergentes que limpam e lubrificam as partes em contato com a gasolina, como válvulas, coletores e bicos injetores, evitando a formação de crostas e depósitos de carvão nas paredes. Outros aditivos servem para melhorar a lubrificação interna do sistema, reduzindo o atrito entre as partes móveis. Teoricamente, se o atrito for menor, menos potência será desperdiçada em calor e, portanto, mais potência ficará disponível para as rodas, melhorando a aceleração do motor.

O álcool também pode ser encontrado nas versões comum e aditivado, com as mesmas características e propósitos das versões da gasolina. Fica óbvio que tudo isto que estamos falando aplica-se a combustíveis sérios, não batizados. Estas porcarias que se encontra por aí sob bandeiras duvidosas não podem ser usadas como referência para nada.

A escolha fica, portanto, pelo preço, mas o cliente deve pensar bem e analisar a longo prazo. Vejamos um exemplo: por muito tempo tivemos uma diferença de 4 a 6 centavos de real por litro, a mais para a gasolina aditivada. Consideremos uma média de 5 centavos por litro, então. Em uma enchida de 50 litros, a diferença de um tanque com gasolina comum e outro com aditivada fica em míseros R$2,50 ou praticamente um litro de combustível. Por esta diferença, seguramente vale a pena usar a aditivada pelos benefícios a longo prazo que oferece, mas certos postos colocam uma diferença muito grande entre as duas versões, e aí já se deve pensar melhor.

Para quem roda pouco, recomendo que use sempre a aditivada. Já para quem roda muito, duas alternativas: se a diferença de preço estiver baixa, use sempre a aditivada, mas se a diferença for maior, alterne um tanque com comum e outro com aditivada.

Com o diesel vale o mesmo raciocínio, reforçado com a preocupação de sempre procurar postos idôneos que tenham filtros para o combustível. O diesel filtrado ajuda bastante na manutenção do motor, pois evita o entupimento dos bicos e perda de pressão nas linhas de alimentação. Tudo isto se reflete em um melhor desempenho do motor e redução simultânea de consumo e emissões de poluentes pelo escapamento.

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Sugestões para a coluna e perguntas à seção Correio Técnico devem ser enviadas ao e-mail automerc@jcnet.com.br ou à redação do Jornal da Cidade, na rua Xingu, 4-44, Higienópolis. É obrigatório informar nome completo, RG, endereço e contato (telefone ou e-mail).

* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.