11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Para economista, impacto do ‘piso regional’ será mínimo

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 2 min

O novo piso salarial regional, que entra em vigor hoje no Estado de São Paulo em substituição ao salário mínimo federal de R$ 380,00, não causará mudança significativa na economia, na avaliação do professor e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) Reinaldo Cafeo. “O impacto será mínimo, especialmente em municípios de médio e grande portes, incluindo Bauru”, resume.

De acordo com o economista, tanto para o empregador quanto para o trabalhador, praticamente não haverá novidades. “Boa parte dos trabalhadores elencados pelo Estado para ter reajuste no salário já tem remuneração igual ou superior a R$ 410,00”, afirma.

O profissional que trabalha em telemarketing, uma das 105 ocupações beneficiadas pela mudança, já recebe, na maioria dos casos, salário superior aos R$ 450,00 anunciados pelo governador José Serra (PSDB). A lei estadual fixou três faixas de valores - R$ 410,00, R$ 450,00 e R$ 490,00 -, cada uma delas referente a uma lista de atividades profissionais, conforme divulgado ontem pelo JC.

O piso regional não se aplica, no entanto, aos servidores públicos estaduais e municipais, aposentados e pensionistas e nem a trabalhadores da iniciativa privada que já têm piso definido por lei federal, convenção ou acordo coletivo de trabalho - mesmo que o valor definido nesses instrumentos seja inferior ao novo piso paulista.

Aumento

Do ponto de vista do empregado, as mudanças também serão poucas. “Para o trabalhador que recebia um salário mínimo e tem direito ao reajuste, terá aumento de cerca de 10% no orçamento”, calcula Cafeo. Esse dinheiro a mais será usado principalmente para despesas com alimentação e saúde, prevê.

Uma pequena parcela dos empregados pode sofrer com a ilegalidade e com o desemprego. “Isso deve acontecer em um pequeno contingente de trabalhadores, principalmente porque alguns empregadores não terão condições de arcar com as novas despesas”, explica Cafeo.

Segundo o governador José Serra anunciou, a medida elevará os vencimentos de aproximadamente 1 milhão de pessoas, ou seja, 12% dos trabalhadores do Estado de São Paulo. O economista acredita, no entanto, que esse número torna-se “pulverizado” se for levado em conta que o Estado tem 645 municípios. “A diferença para a economia será ínfima se contabilizarmos a população de todo o Estado”, afirma.