10 de julho de 2026
Esportes

Em Bauru, Bárbara fala sobre o Pan e do futuro na seleção

Gabriel Pelosi
| Tempo de leitura: 6 min

Ainda com a derrota para as cubanas “entalada” na garganta, Bárbara Amaro Kernbeis, 21 anos, atleta bauruense da Seleção Brasileira de pólo aquático chegou em Bauru após o encerramento do Pan-Americano e falou ao Jornal da Cidade. Bárbara faz parte da seleção quarta colocada no Pan e atualmente mora nos Estados Unidos onde defende a equipe Hartwick College na Liga Norte-Americana de pólo aquático.

De férias em Bauru, Bárbara falou sobre a participação no Pan, a derrota na disputa pelo bronze, a rivalidade com as cubanas e o futuro na seleção. A seguir leia os principais trechos da entrevista da bauruense ao JC.

Jornal da Cidade - Quando você começou a jogar pólo aquático?

Bárbara - Com 14 anos, aqui no BTC. Foi assim: teve o Pan em Winnipeg e saiu uma reportagem na TV falando que as meninas da Seleção Brasileira de pólo aquático tinham ganhado a medalha de bronze. Aí eu pensei: quero fazer pólo aquático. Sou bauruense, mas morei seis meses em Araçatuba quando tinha 14 anos, lá não tinha time de pólo. Quando voltei para Bauru entrei no time do BTC. Eu já tinha feito natação e minha mãe sempre me falou para fazer esportes, então resolvi entrar no pólo aquático do BTC.

JC - Quando foi sua primeira convocação para a Seleção Brasileira de pólo aquático feminino?

Bárbara - Foi em 2002 para um Pan-Americano júnior (nascidos em 1983). Para a equipe principal foi em 2005, teve o pré-mundial e eu estava fora de forma e fui cortada. Na época eu jogava no Paulistano, em São Paulo, e treinei bastante, melhorei e fui jogar o Mundial em Montreal.

JC - Como surgiu o convite para ir jogar nos Estados Unidos?

Bárbara - Quando fui jogar o Mundial em Montreal, meu técnico gostou do meu desempenho e me indicou para uma técnica americana. Acho que porque eu era muito nova e por estar na seleção, tinha 19 anos, e ela me chamou para ir para lá (EUA). Estou lá faz um ano e meio.

JC - Como é a emoção de disputar um Pan-Americano no Brasil, com o apoio da torcida?

Bárbara - É indescritível. A emoção de entrar no Maracanã lotado na cerimônia de abertura, todo mundo gritando “Brasil” foi muito emocionante. A delegação brasileira inteira estava muito feliz, não tenho nem palavras para descrever.

JC - Pela TV pudemos ver a tristeza de vocês atletas após ver escapar a tão sonhada medalha de bronze. Para você que estava dentro da piscina, o que faltou para a equipe derrotar Cuba nesse confronto, já que haviam vencido na Primeira Fase?

Bárbara - Não sei. Agente não sabe até agora o que aconteceu. Tivemos três pênaltis e marcamos só um gol, tivemos uma jogadora a mais por 11 vezes e fizemos apenas um gol. Agente não sabe o porquê que agente não conseguiu converter aquelas oportunidades que criamos. Agente tem alguma coisa para aprender com isso, mas não sabemos o que é. Nunca treinamos tanto, estávamos bem preparadas, conseguimos fazer um jogo equilibrado contra o Canadá, que é uma equipe que está entre as três melhores do mundo e perdemos para Cuba, um time que vencemos por cinco gols na Primeira Fase. Beliscamos a prata e entregamos o ouro. É uma dor muito grande. Eu não posso assistir a premiação de nenhum outro esporte que já começo a chorar. Sinceramente eu não consigo tirar conclusão nenhuma do que aconteceu.

JC - Você que as enfrentou, como é a rivalidade entre Brasil e Cuba?

Bárbara – É um jogo muito mais pegado. Elas provocam muito. É um jogo muito mais violento. Agente sabia que ia ser assim, estávamos esperando isso. Elas dão porrada na maldade. É sempre complicado.

JC - Em termos gerais, o que você achou do Pan do Rio: instalações, segurança, transporte e alimentação?

Bábara - Eu gostei, não tenho do que reclamar. Só não gostei do caminho que o ônibus fazia para ir até o complexo do Maracanã onde jogamos. Só passava por favelas, vimos muita miséria, mas acho que foi por praticidade mesmo. Mas o transporte era ótimo, comida o tempo todo. Para nós atletas foi tudo ótimo.

JC - Dá para namorar na Vila Pan-Americana durante o Pan?

Bárbara - Ah, sim. Mas durante o campeonato não “rola” muita coisa não, pois está todo mundo concentrado. O lugar onde rola a maior interação é no refeitório, é lá onde todos se encontram. Mas tinha “baladinha” lá na Vila (Pan-Americana) e Cuba dominava lá. Agente passou uma noite lá e tocava até músicas caribenhas. Como continuamos na Vila depois das competições aí agente saia, fomos comemorar com o pessoal do handebol e da natação. Mas durante o campeonato não dava nem tempo. Tínhamos jogo todos os dias e ainda treinávamos, então não dava nem tempo.

JC - Você tirou foto com algum ídolo seu no Pan?

Bárbara – Agente tirava fotos com todo mundo lá (risos). Com o pessoal do vôlei masculino e feminino, com a Daiane da ginástica olímpica, com o Falcão do futsal, com o Parreira que estava lá outro dia, o Popó do boxe. Era bem legal essa parte de conhecer pessoas e conversar.

JC - Ter participado de um Pan pode valorizar sua carreira como esportista?

Bárbara – Acho que pode fazer uma diferença dentro da seleção. É uma bagagem a mais que tenho. Mas se tivéssemos ganhado, a visibilidade seria maior ainda. Uma coisa que o Pan-Americano é muito importante é para divulgar esportes que não estão sempre na mídia. Isso é muito bom. Eu comecei a jogar depois de ver uma reportagem que as meninas do pólo tinha conquistado uma medalha de bronze. No nosso caso nós falhamos por que perdemos de conquistar uma medalha e perdemos de ter maior divulgação do esporte.

JC - Você tem lugar garantido na Seleção Brasileira? Qual o próximo compromisso da equipe do Brasil?

Bárbara - Não, estou sempre brigando por posição. Temos o pré-olímpico em março e o Sul-Americano em seguida.

JC - É muito diferente o pólo aquático dos Estados Unidos do brasileiro?

Bárbara - É diferente porque lá (nos EUA) temos um campeonato contínuo. A diferença é porque jogamos mais. Quanto mais você joga, melhor você fica. Eles tem um trabalho de base muito melhor. Aqui as meninas começam no pólo com 13 ou 14 anos, lá é com sete ou oito. Lá clube é fraco e o esporte universitário é muito forte. A criança começa a praticar esporte na escola e vai até a faculdade com bolsa de estudo.

JC - Você atingiu o nível mais alto que um atleta sonha, que é chegar à seleção de seu país. Qual seu objetivo agora no pólo aquático?

Bárbara-Meu objetivo é me firmar na seleção e continuar treinando forte, principalmente para ir para o próximo Pan e vencer as cubanas. Eu tenho isso comigo.