Brasília - O piloto José Eduardo Brosco, que pousou o Airbus-A320 da TAM em Congonhas, em São Paulo, na véspera do acidente com a aeronave, disse ontem em depoimento à CPI do Apagão Aéreo da Câmara que enfrentou problemas para frear o avião. Brosco disse ter a impressão de que os freios manuais e automáticos da aeronave estavam com problemas, além da pista principal estar muito escorregadia. “A sensação é que realmente não estava segurando. O freio ABS do avião parecia que prendia e soltava”, disse.
O piloto afirmou que, após o pouso, encaminhou à TAM um relatório de perigo para detalhar os problemas identificados na aeronave. No relatório, Brusco detalhou as dificuldades enfrentadas ao frear a aeronave. “Ao chegar em casa, eu estava muito abalado. Mesmo sem ter tirado o uniforme, fui fazer no computador um relatório de perigo ao departamento de safety (segurança aérea) da TAM. Eu não sei o procedimento do departamento, mas a nossa instrução é para quando houver um ocorrido, relatar através de relatório de um perigo”, disse.
O piloto afirmou que, após as obras executadas pela Infraero na pista principal, ela ficou ainda mais escorregadia que o percebido anteriormente pelos pilotos. As obras foram concluídas 20 dias antes do acidente com o Airbus e duraram pelo menos 45 dias.
Brosco disse que se sente seguro em pousar aeronaves na pista principal de Congonhas, mas nos dias de chuva afirmou que a própria empresa orientou os pilotos a procurarem outras alternativas ao terminal.
O comandante disse à CPI que está há dez anos na TAM, com experiência no comando de aeronaves Airbus há sete anos. O piloto disse ter acumuladas 8.300 horas de vôo. Na véspera do acidente, o comandante pousou em Congonhas às 14h, procedente do aeroporto de Confins, em Belo Horizonte (MG).
Sobre a possibilidade de um dos reversos (sistema de frenagem) da aeronave estar com defeito, o piloto disse que isso não impediria o avião de parar na pista - a não ser que estivesse molhada. “O reverso é um auxiliar para frenagem, mas não há restrição nenhuma quanto ao pouso em Congonhas ou em qualquer outro lugar. O piloto poderia até ter pousado sem os dois reversos”, afirmou. Na véspera do acidente com o Airbus da TAM, quando Brosco pilotou a aeronave, um avião da companhia aérea Pantanal derrapou na pista principal de Congonhas devido à pista escorregadia.