Rio - Os elevados custos, os riscos econômicos excessivos e a escassez de fontes de financiamento foram apontados como principais travas para as indústrias brasileiras investirem em inovação, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A proporção de indústrias que adotaram produtos e setores inovadoras se manteve estável em 33,4% entre 2003 e 2005. “A indústria brasileira inova através de máquinas, logo, ela precisa de crédito mais barato”, afirma a coordenadora da pesquisa, Mariana Martins Rebouças.
A inovação compreende a adoção de produtos ou processos inovadores para aquela empresa, sendo que alguns deles inovadores para o próprio mercado doméstico ou internacional. Os técnicos do IBGE traçaram o retrato da inovação no país baseado em entrevistas a cerca de 13 mil empresas por telefone. “As condições de mercado continuaram sendo a principal razão apontada pelas empresas industriais para não terem realizado inovações tecnológicas, sobretudo, em empresas de pequeno porte”, diz o boletim da pesquisa.
No setor de telecomunicações, a falta de pessoal qualificado e a dificuldade de adaptação de padrões, normas e regulamentação foram considerados os principais obstáculos. Já o setor de informática acompanha as indústrias e também avalia os elevados custos como principal vilão na hora de inovar.
Quem mais investe
Os principais segmentos que investiram em inovação tecnológica foram telecomunicações e informática, além de empresas da área de pesquisa e desenvolvimento. No universo das empresas de telecomunicações, 45,9% das 393 empresas disseram ter investido para inovar em produtos ou processos. Os portais de Internet também fazem parte do setor de telecomunicação. Já entre as empresas de informática, 57,6% afirmaram ter inovado.
Segundo o IBGE, o próprio mercado desses dois ramos exige mais dinamismo e está sujeito a estratégias da concorrência. “Estamos num momento de expansão do mercado de telecomunicações, com a banda larga e a TV Digital, estamos começando a construir essa infra-estrutura”, disse a coordenadora da pesquisa, Mariana Martins Rebouças. Esses dois segmentos tiveram proporção de empresas que investiram em inovação superior à das empresas industriais (33,4%).