08 de julho de 2026
Geral

Financiamento longo, risco maior

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Uma dica preciosa para quem quer fugir dos “pidões”, segundo o especialista em finanças Rafael Paschoarelli, é nunca dizer quanto ganha. “Se disser, sempre aparece algum coitado dizendo que ganha menos e que, por isso, precisa da sua ajuda”, alega.

Um bom argumento para dizer “não” ao empréstimo do nome, segundo o economista Carlos Sette, é o tamanho do financiamento e o tempo que ele deverá durar. Quanto maior o número de parcelas, maior é o risco que se corre, segundo Sette. Ele lembra que a possibilidade de desemprego tem de ser levada em consideração. Se o amigo ou parente perder o emprego, vai sobrar para o titular do empréstimo ou financiamento.

“Além de ter de pagar a dívida do outro, a pessoa é pega de surpresa, sem nenhuma reserva para saldar a dívida. Quando ela se dá conta, está com a vida financeira totalmente comprometida”, alerta o economista. A coordenadora do SPC em Bauru, Sônia de Oliveira, lembra também do risco de um problema de saúde afetar quem se beneficiou do empréstimo e isso comprometer o processo de cumprimento do compromisso assumido.

Segundo Paschoarelli, autor dos livros “Como Comprar Mais Gastando Menos” e a “Regra do Jogo”, foi possível notar em seu estudo sobre a inadimplência que os casos mais comuns de empréstimo de nomes para financiamentos envolvem casais de namorados. Foi o que aconteceu com Fausto (nome fictício), 40 anos. Em um ano de namoro, ele teve um prejuízo de mais de R$ 200 mil.

“Meu nome foi parar no SPC, Serasa, no protesto, perdi conta em banco. Tudo por ter permitido que ela usasse meu nome para financiar suas compras”, conta. O namoro foi desfeito e Fausto ficou com a dívida, por sinal gigantesca. Desde 2004, ele vem tentando cobrir o rombo que foi deixado. Para isso, teve de vender animais, caminhonete, máquinas e implementos agrícolas. Ele continua pagando as dívidas até hoje. “Quando percebi (o erro), já era tarde demais”, diz Fausto, que alega ter ficado na rua com o carro sem combustível e sem dinheiro para abastecê-lo.

Fausto diz ter aprendido a lição. “Não empresto e aconselho as pessoas a nunca emprestarem seu nome para ninguém. Porque se a pessoa vem pedir esse favor é porque ela não está nada bem”, argumenta. Hoje, ele mantém outro relacionamento amoroso, mas não quer nem pensar em bancar financiamentos novamente.