O número de pedidos de seguro-desemprego cresceu em Bauru e região primeiro semestre. Em comparação ao mesmo período de 2006, segundo levantamento da Caixa Econômica Federal (CEF), houve aumento de 4,9% na quantidade de trabalhadores que requisitaram - e receberam - o benefício. A estatística aponta que foram feitos 10.254 pedidos a mais, passando de 209.414 no ano passado para 219.668. Os números são da área de abrangência da Superintendência Regional da Caixa em Bauru, que abrange 95 municípios.
A oscilação em valores também revela um volume expressivo. O total liberado passou de R$ 90.213.886,30 nos primeiros seis meses de 2006 para R$ 103.772.375,90 de janeiro a junho deste ano, salto de R$ 13.558.489,60.
Na opinião de economistas e consultores financeiros, os dados mostram que o fechamento de postos de trabalho foi significativo no período. Por outro lado, ressaltam que deve ser levado em consideração que, em muitos casos, o trabalhador pode ter optado pelo tradicional acordo com a empresa diante de uma necessidade financeira urgente. O objetivo é contar com o auxílio do governo por no mínimo quatro meses e sacar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
Para o economista e professor Geraldo Pineli, a diferença de um semestre para outro foi grande em razão de ter superado o crescimento da economia, que girou em torno de 3%. “Trata-se de um cenário que arromba ainda mais os cofres públicos, justamente porque será preciso cobrir isso de alguma forma”, avalia.
Causas
O especialista não arriscou apontar o que teria feito crescer o número de pedidos de seguro-desemprego no período. Porém, ressaltou acreditar que a demanda não vem da base da pirâmide salarial.
“É estranho, porque o setor da construção civil neste ano está superaquecido. As lojas de materiais de construção estão vendendo muito bem. Isso quer dizer que esse crescimento de 4,9% não se deu no ramo mais baixo (de ganho). Teria sido numa categoria intermediária, de nível salarial maior”, analisa.
Pineli ressalta que a atual conjuntura reflete diretamente na vida da população. “Quando temos bastante gente trabalhando, também temos mais pessoas contribuindo com o governo, recolhendo PIS (Programa de Integração Social) e todos os impostos normais. Quando aumenta o volume de desemprego, se tem muito mais gente dependendo dessa transferência que o governo estaria fazendo. O governo tem de arrecadar de outros setores ou de outros gastos que faria, para poder suprir as pessoas que estão desempregadas”, explica.
De acordo com o economista, os reflexos para a população são desastrosos. Isso porque o governo acaba cortando investimentos que seriam feitos nos mais diversos setores da sociedade, do asfalto à saúde.
“Assim, teremos ruas mais esburacadas e estradas piores, menos investimentos governamentais em saúde e segurança, entre outros prejuízos. Quando o governo tem de arcar com alguma coisa, é evidente que ele vai tirar de algum lugar”, destaca.