09 de julho de 2026
Polícia

Golpistas levam R$ 8 mil de vítimas

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Duas pessoas foram vítimas de um velho golpe ontem no Centro de Bauru. No total, os golpistas levaram mais de R$ 8 mil das vítimas. O prejuízo maior foi de um homem de 20 anos, abordado no final da manhã na rua 1º de Agosto. Ele caiu no tradicional golpe do pacote, mais conhecido por golpe do Paco. Os nomes das vítimas não estão sendo divulgados para evitar constrangimentos.

Com algumas variações, o esquema funciona da seguinte maneira: após observar uma pessoa sacando uma elevada quantia no banco, um golpista a segue e deixa cair um cheque ou um pacote com dinheiro. A vítima recolhe o objeto e vai atrás do golpista para entregá-lo a ele. Um outro golpista aparece e diz que viu o que aconteceu. O golpista que “perdeu” o objeto diz que quer recompensar a vítima e indica um local para entregar o dinheiro. Mas, como garantia, um dos golpistas fica com a bolsa ou pacote com o dinheiro sacado pela vítima. Quando chega ao local indicado, a vítima percebe que caiu no golpe.

De acordo com o depoimento prestado à polícia, foi acreditando em uma história parecida com esta que um servente de 20 anos perdeu os R$ 6 mil que havia acabado de sacar em duas agências bancárias. Após verificar que foi enganado, ele procurou a polícia para registrar a ocorrência levando um pacote que, a princípio, ele havia acreditado ser de dinheiro.

Só quando os golpistas não voltaram é que a vítima percebeu: o que lhe restava eram cópias coloridas de cédulas de real dobradas ao meio e presas por elástico. No interior de cada maço de ‘dinheiro’, havia apenas papéis em branco. O servente relatou à Polícia Militar (PM) que, após realizar o segundo saque na rua 1º de Agosto, viu quando um rapaz que caminhava próximo a ele derrubou um pacote.

Quase ao mesmo tempo, surgiu um homem de cerca de 30 anos, na verdade o segundo golpista, que também viu o pacote “cair” e mostrou-se preocupado em devolvê-lo. Rapidamente, o rapaz que havia “perdido” o pacote apareceu e ofereceu uma recompensa a ambos.

O golpista pediu para que a vítima e o comparsa esperassem enquanto ele iria buscar o dinheiro e deixou com os dois o pacote. Pouco depois, o comparsa avisou que precisaria sair por um instante, deixou o pacote com o servente e pediu que ele lhe desse algo como garantia de que não iria fugir com o dinheiro. O servente deu, então, os R$ 6 mil ao golpista, que não apareceu mais.

Convincentes

Quase no mesmo horário e local, golpe semelhante foi registrado pela PM. Uma mulher de 20 anos que havia acabado de deixar a agência da Caixa Econômica Federal, onde havia sacado R$ 2 mil, foi abordada também na rua 1º de Agosto por um homem aparentando mais de 60 anos. O senhor trazia nas mãos uma carteira que, segundo ele, teria caído da bolsa da vítima.

Enquanto os dois conversavam, um outro homem de cabelos grisalhos se aproximou dizendo que aquela carteira pertencia a ele. Uma foto sua em um documento que estava dentro da carteira comprovou o que ele acabara de dizer. Na carteira havia também um cheque no valor de R$ 16 mil que, segundo o “dono”, seria de seu patrão.

O indivíduo ofereceu à vítima uma quantia de R$ 100,00 como recompensa. Os três seguiram para o Calçadão da Batista de Carvalho, onde a vítima e o comparsa do golpista ficaram aguardando o dinheiro. Minutos depois, o golpista trouxe dois vales e, indicando um endereço, deu-os ao amigo para que fossem descontados na suposta empresa do patrão.

Como garantia de que retornaria, o comparsa deixou com a balconista várias notas de R$ 100,00. Ao voltar, disse à vítima que o suposto patrão gostaria de conhecê-la. Foi então que o golpista ‘dono da carteira’ pediu para que a mulher levasse uma promissória no valor de R$ 16 mil para ser descontada na empresa. Para garantir que voltaria, a vítima deixou com os golpistas sua bolsa contendo, além dos R$ 2 mil, documentos, cartões de banco e um aparelho celular.

“Andei meio quarteirão e só então percebi que era um golpe. Quando voltei, tentei achá-los, mas a Batista estava cheia de gente e não os vi mais”, conta a mulher, que perdeu o emprego há 15 dias e tinha ido ao banco para sacar os R$ 2 mil referentes ao fundo de garantia.