Os talentos do esporte estão espalhados pelo Brasil. A grande maioria deles, além de lutar contra adversários, tem que passar também por cima das dificuldades financeiras para dar segmento aos seus sonhos. O lutador de jiu-jitsu Fábio Marmontel é um desses. Apesar de todos os prognósticos serem contrários, ele conseguiu se sagrar campeão do último Jiu-jitsu World Black Belt, a chamada copa do mundo do esporte, organizada pela Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu Olímpico (CBJJO) em Teresópolis (RJ) no último final de semana.
Após vender camisetas personalizadas, o atleta de 31 anos conseguiu juntar o dinheiro necessário para enfrentar sozinho uma viagem de 14 horas até a cidade carioca para participar do evento. Lá ele despachou 20 adversários, todos faixas pretas, dispostos em duas chaves na categoria pesado (até 92 quilos) sênior.
A rotina de treinamento duro, com musculação todos os dias das 7h às 9h e treino técnico diário após o trabalho, das 19h às 23h, deu certo. Na competição estilo mata-mata, ele fez três lutas. Na primeira desbancou logo de cara um americano do qual não relembra o nome. Depois venceu um atleta brasileiro que treina na academia Gracie dos Estados Unidos. Na final, disputou com um atleta de Belo Horizonte e levou a melhor.
“As pessoas não sabem, mas um título como esse é muito importante, pois lá estavam reunidos os melhores do mundo. E, para mim, essa vitória é mais significativa ainda, porque venci atletas profissionais, que levaram auxílio de técnico, preparador físico e fisioterapeuta, enquanto eu fui sozinho, sem nenhum patrocínio, enfrentando uma viagem de ônibus desgastante”, desabafa.
Apesar de já ser faixa preta há dois anos, essa foi a primeira competição que ele disputou nessa categoria. Agora, a intenção de Marmontel é ganhar a vida com esporte que pratica desde os 18 anos de idade.
“Esse é um título de reconhecimento, que pode me impulsionar a viver somente do jiu-jitsu. Após o término da final, tive propostas para fazer lutas no exterior e até dar aulas em uma academia fora do país”, afirma o atleta, que conseguiu fechar seu primeiro contrato de patrocínio logo, com uma empresa fabricante de quimonos, após a conquista do título.