08 de julho de 2026
Nacional

TRT condena e metroviários param greve

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Depois de dois dias seguidos de paralisação, em que 2,4 milhões de paulistanos foram prejudicados, os metroviários decidiram voltar ao trabalho. A decisão foi tomada em assembléia às 19h de ontem, quatro horas depois de o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) julgar a greve abusiva e condenar o sindicato a pagar multa de R$ 200 mil.

Antes da retomada dos trabalhos, porém, o usuário enfrentou filas e aperto para ir e voltar para casa. Os trens do metrô, como no dia anterior, circularam com apenas 60% da frota, operando em toda linha 1-azul (Tucuruvi-Jabaquara) e em parte da linha 2-verde, no trecho entre Ana Rosa e Clínicas. As composições eram pilotadas por supervisores e ex-maquinistas.

Cerca de 3 milhões de pessoas circulam por dia pelo sistema - a Companhia do Metrô estima em 600 mil o número de pessoas transportadas em cada dia de paralisação. Mais uma vez a zona leste foi a mais afetada pela paralisação.

As composições da linha 3-vermelha não circularam, e os trens da CPTM serviam da estação Dom Bosco à Tatuapé sem obedecer a parada em Corinthians-Itaquera. Não bastasse o caos provocado pela greve do metrô, os moradores da região enfrentaram o segundo dia de greve da viação Himalaia, que atende os bairros de Guaianases, São Mateus e Cidade Tiradentes e tem 400 mil usuários. Nenhum dos 561 ônibus e trólebus da empresa saiu da garagem e a greve prosseguia até a noite de ontem. No lugar deles, a SPTrans, que gerencia o transporte, colocou 213 ônibus do Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese).

A Radial Leste parou às 6h15, ainda em Itaquera. O trânsito só voltou a fluir às 11h. A CET mediu 153 quilômetros de congestionamento às 9h30. À tarde, como forma de evitar a confusão do dia anterior, a CPTM colocou gradis para organizar os usuários na estação da Luz, de onde partiam trens para as zonas sul, leste e norte da cidade e Grande São Paulo.

Pela manhã, o secretário de Negócios Metropolitanos, José Luiz Portella, admitia a retomada das negociações, desde que os metroviários voltassem ao trabalho. A categoria, por sua vez, culpava o Estado pelo impasse - eles admitiam trabalhar desde que as catracas das estações fossem liberadas.

Às 15h, a greve foi julgada e condenada pelo TRT-SP por descumprir a determinação de manter 85% da frota em circulação nos horários de pico e de 60% nos demais horários. Pelos dois dias de paralisação, o sindicato deve pagar R$ 200 mil - dinheiro que será doado para instituições de saúde.

Outra multa foi aplicada pela juíza Cátia Lungov, de 5% sobre o valor da 1,5 folha salarial da companhia por ter se comprometido na terça em adiar a greve por uma semana e retomar as negociações com o Metrô.