08 de julho de 2026
Geral

‘Explosão’ das panelas de pressão são muito comuns

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Sônia Regina Romualdo, 47 anos, ficou oito dias internada por causa da explosão da panela de pressão. Ela conta que os policiais do Corpo de Bombeiros, quando foram resgatá-la dentro da cozinha do bar e restaurante, acreditavam que ela não iria resistir aos ferimentos. Sônia passou um dia em coma na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e conseguiu sobreviver.

Devido às queimaduras no rosto, ela teve de passar por cirurgia plástica. A retina do olho também foi atingida e ela passou a ter problemas na visão. Antes do acidente, Sônia usava óculos apenas para descanso da vista. Agora, a perda já chega a 2,5 graus e a tendência, segundo os médicos, é aumentar.

Desde que deixou o hospital, Sônia tem feito tratamento psicológico para tentar apagar as lembranças ruins daquele fatídico 1 de abril, mas os resultados ainda são muito tímidos. “Não consigo colocar um canecão de água no fogão. Tenho a impressão de que ele vai saltar em cima de mim”, comenta. O feijão foi abolido do cardápio da família. O estabelecimento não serve mais refeições.

Sônia não acionou a Justiça porque ela acredita que “não seria justo”. Alguns dias antes do acidente, ela havia passado por uma cirurgia de rim. Por recomendação médica, ela deveria ficar em repouso durante 90 dias. Ela não deu ouvidos ao médico e, em menos de uma semana, lá estava ela de novo na cozinha do bar, cozinhando, apesar dos protestos de toda a família. “Foi o preço que eu paguei pela desobediência”, admite ela.

A pensionista Iolanda Garcia Mello, 62 anos, passou por momentos parecidos há quatro anos. Ela também teve o rosto e o olho queimados após a explosão da panela de pressão. O fogão ficou totalmente destruído e o teto danificado. “Graças a Deus, tudo ficou bem. Mas no dia, entrei em desespero”, recorda.

Ela conta que desligou o fogo, mas como o feijão ainda não estava bem cozido, colocou a panela de volta no fogão. Enquanto esperava o feijão ficar no ponto, ela começou a fritar o alho para o tempero em uma outra panela, no fogo ao lado. A válvula da panela de pressão entupiu e Iolanda não percebeu. Passaram-se vinte minutos desde que a panela havia sido colocada novamente no fogo e o vapor não estava sendo liberado pela válvula. A panela explodiu.

Segundo Iolanda, a válvula que estava usando não era original. Ela comprou uma peça de ferro de um vendedor ambulante que passava pela rua. Depois do susto, ela voltou a cozinhar normalmente, mas não usa mais panela de pressão com válvulas que não sejam originais.

A professora de idiomas Luciana Fernandes, 28 anos, também foi vítima de acidente de consumo. Ela comprou um desodorante que lhe queimou as axilas. Além dela, outras pessoas apresentaram o mesmo problema. O lote do desodorante foi tirado de circulação e a fornecedora do produto pagou dermatologista para todas as vítimas. Luciana conta que devolveu o produto e recebeu o dinheiro de volta. Segundo ela, cerca de cinco dias após ter parado de usar o desodorante, a queimadura desapareceu.

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Crianças: maiores vítimas

A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), em parceria com a Associação Médica Brasileira (AMB), elaborou um projeto para mapear a incidência e as causas dos acidentes de consumo. O resultado da pesquisa mostrou a necessidade de regulamentação de alguns produtos e serviços e de mecanismos que facilitem o reconhecimento e o controle desses acidentes.

“É preciso reduzir o número de acidentes de consumo, pois é inadmissível a exposição de seres humanos a falhas que podem ser solucionadas pelo processo produtivo e pela prestação de serviços”, diz Eleuses Vieira de Paiva, presidente da AMB.

Durante três meses, os pesquisadores entrevistaram 2.021 pessoas. Constatou-se que as maiores vítimas são as crianças de até 5 anos. De acordo com a pesquisa, realizada em 2004, os medicamentos são as principais causas de acidentes de consumo, seguido dos produtos de limpeza. Na área de serviços, os meios de transportes são os maiores causadores de acidentes.

A maior parte das crianças (60%) é vitima de casos de obstrução aérea (nariz e ouvido). Outra parte (38%), é ferida pelos próprios brinquedos. Os adultos são vítimas, principalmente, de queimaduras, consequência de acidentes com material de limpeza (álcool, cloro) e com utensílios domésticos (panelas).