09 de julho de 2026
Nacional

Renan é sócio oculto de rede de rádios, denuncia revista

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) seria o dono oculto de duas rádios em Alagoas, que teriam sido pagas em dinheiro vivo, segundo reportagem da revista “Veja” deste final de semana. Conforme a Folha já havia publicado em junho, o primo do senador Tito Uchôa e um assessor direto de Renan, Carlos Ricardo Nascimento Santa Ritta, aparecem como dirigentes e sócios de duas rádios que pertenceriam de fato a Renan, avaliadas em R$ 2,5 milhões.

De acordo com a revista, um dos emissários que teriam sido usados pelo senador para transportar o dinheiro é Everaldo França Ferro, assessor parlamentar de Renan. Não é a primeira vez que o nome de Ferro aparece associado a situações suspeitas ligadas ao senador: ele foi flagrado pela Polícia Federal em conversas com Zuleido Veras, o dono da construtora Gautama acusado de chefiar quadrilha especializada em fraudar licitações. Ferro teve 19 carros registrados em seu nome nos últimos sete anos. Hoje são dois. O senador comprou de seu auxiliar um Mitsubishi.

A empreitada de Renan nas comunicações, segundo a “Veja”, teria começado em 1998 numa parceria com o empreiteiro João Lyra, na compra do grupo “O Jornal”, que detinha uma concessão de rádio. Com o negócio fechado em R$ 2,6 milhões (R$ 1,3 milhão para cada um), Lyra teria emprestado R$ 700 mil a Renan, que não tinha todo o dinheiro na ocasião.

Os pagamentos a Lyra teriam sido feitos em dinheiro, às vezes em dólar, entregues por Everaldo. Os R$ 650 mil restantes teriam sido pagos, em 1999, em quatro parcelas por Tito Uchôa, que na época teria salário de R$ 1.390,00 pela Delegacia Regional do Trabalho, segundo a revista. Em 2005, Renan e Lyra teriam decidido desfazer a sociedade, ficando o usineiro com o jornal e Renan com a concessionária de rádio, mais uma empresa que havia sido criada pelos dois para servir como espécie de holding do grupo, a JR Radiodifusão. Com o fim da sociedade, Tito Uchôa passou a ser dirigente da JR.

Em maio daquele ano, o assessor de Renan Carlos Santa Ritta transferiu sua participação na empresa para Renan Calheiros Filho, conhecido como Renanzinho.

Na semana retrasada, logo no início do recesso parlamentar, Renan viajou para Maceió para defender-se em sua terra natal das acusações de que teria contas pessoais pagas por um lobista da construtora Mendes Júnior.

Ao contrário do tom aparentemente controlado mantido até então em Brasília, Renan partiu para o ataque a seus adversários em Alagoas de uma forma mais agressiva - incluindo até ofensas pessoais.

Entre seus alvos, estava João Lyra, que se tornou seu inimigo. Renan deu cinco entrevistas num único dia, todas a rádios e TVs controladas no papel por seus parentes ou aliados, entre as quais a Rádio Correio e a Costa Dourada.

As denúncias trazidas pela revista somam-se a outras duas trazidas pela Folha nesta semana. Uma delas, de que teria grilado terras em Murici (AL), gerou representação apresentada pelo Psol ao Conselho de Ética do Senado. A outra, de que o frigorífico Mafrial, apontado por Renan como intermediário de venda de gado de suas fazendas para empresas fantasmas, não tem autorização para negociar carne, somente para abater os animais.

O advogado de Renan, Eduardo Ferrão, disse anteontem de manhã que ainda não havia conversado com ele sobre as denúncias. Não deu resposta até o fechamento desta edição.