Além de ser uma fonte segura de renda, os cursos de formação na área de confecção podem se converter em uma boa oportunidade para que as pessoas façam novas amizades. Desde que começou as aulas de artesanato do Serviço Social da Indústria (Sesi) de Bauru, Ângela Buccalon tem andado encantada.
Autodidata (aprendeu sozinha a cantar e a tocar violão), ela nunca havia tido a chance de freqüentar uma sala de aula para se capacitar profissionalmente. “É uma relação maravilhosa. Existe uma camaradagem muito grande entre nós, uma troca de experiências constante que torna essa experiência bastante rica”, diz ela, que vive no Jardim Estoril (zona sul da cidade).
Essa parceria à qual Ângela se refere faz com que surja uma espécie de solidariedade entre as mulheres que freqüentam os cursos da entidade. Suemi Awane Awaji Atani, 52 anos, moradora do Jardim Terra Branca (zona oeste de Bauru), participa há oito anos das aulas de artesanato do Sesi. Depois de um tempo freqüentando os cursos, ela começou a fabricar bolsas femininas, as quais comercializa na feira de artesanato Ubá, no Parque Vitória Régia.
Acontece que colegas de Suemi também estão aprendendo a fazer peças semelhantes às que ela confecciona. Ao invés de se sentir ameaçada pela possível concorrência, ela, que já trabalhou como bancária, costuma ajudar as amigas na montagem das bolsas.
Suemi, que começou na costura fabricando agasalhos de moletom para os filhos, cerca de 15 anos atrás, hoje pode se orgulhar pelo fato de suas peças serem vendidas até para clientes de Portugal e do Japão.
E pensar que, no começo, ela nem estava muito interessada em comercializar as bolsas. “Eu fazia mais por passatempo, pois é um trabalho relaxante. Daí minhas amigas viram, gostaram e pediram para comprar. Foi assim que comecei a produzir para vender, e não parei mais”, conta Suemi.