07 de julho de 2026
Política

Mulheres querem mais espaço no poder

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

A representatividade feminina no Congresso Nacional atualmente não ultrapassa os 9%. Para o Conselho Municipal da Condição Feminina de Bauru e de outros municípios paulistas, essa situação precisa mudar. “As mulheres não estão sabendo ocupar o espaço delas dentro da política nacional. É preciso que elas despertem para isso”, afirma a presidente do conselho bauruense, Haydée das Dores de Souza.

O aumento na representatividade política feminina é uma das propostas discutidas e aprovadas na 2.ª Conferência Estadual de Política para Mulheres, realizada no mês passado no Centro de Convenções do Anhembi, em São Paulo. Essa e outras propostas serão levadas para uma reunião em Brasília nos próximos dias 18, 19 e 20.

“Hoje, o Brasil mantém apenas 45 mulheres no Congresso Nacional, o que equivale a 8,8% do total de vagas. Enquanto que em Ruanda, um país da África, o parlamento é composto por 48,8% de mulheres. Na Suécia, são 45,3%, e na Argentina, 35%. O Brasil só está na frente da Palestina, um país em guerra”, cita Haydée.

Na opinião dela, os partidos têm culpa nisso, porque não investem na politização da mulheres. “Elas precisam saber que política não é coisa só para os homens.” Para Haydée, é preciso que haja uma oxigenação no quadro político brasileiro, com o aparecimento de novas lideranças. “Nós estamos nas mãos dos mesmos caciques políticos há muitos anos”, comenta. Segundo ela, as mulheres de hoje estão mais preocupadas com a ascensão profissional do que a política.

Propostas

Além de aumentar o espaço das mulheres no poder, a comitiva paulista vai propor ainda que se crie Secretaria Especial de Mulheres em todos os níveis da administração pública (municipal, estadual e federal), que haja mais investimento em moradias para famílias com renda de um a três salários mínimos, erradicação do analfabetismo e mais Delegacias de Defesa da Mulher.

Durante as discussões no mês passado, na Conferência Estadual, ficou definido também que é preciso uma atenção especial à Lei Maria da Penha, que completa um ano amanhã. A lei trata do combate à violência contra as mulheres.

Haydée lembra que foi encaminhada ao prefeito Tuga Angerami proposta de inclusão do Município no Plano Nacional de Políticas para as Mulheres. Segundo ela, a iniciativa não terá custo nenhum para o Município. Qualquer investimento nessa área sairá do orçamento do próprio conselho municipal e de parcerias com a iniciativa privada.

O Conselho da Condição Feminina de Bauru é considerado um dos mais ativos e respeitados conselhos do País. Segundo Haydée, cidades de todos os cantos do Brasil sempre ligam pedindo orientação. “Para continuarmos com esse trabalho em benefício das mulheres bauruenses, precisamos do apoio de todos. É com união que iremos avançar em nossas propostas”, diz Haydée, uma das três representantes de Bauru na comitiva estadual que estará em Brasília na próxima semana discutindo os interesses das mulheres brasileiras.