10 de julho de 2026
Geral

Família reencontra pai depois de 8 meses

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 2 min

O Dia dos Pais, no próximo domingo, terá um significado especial para o porteiro Flávio de Queiroz Almeida, 48 anos. Ele estará ao lado da família, que não via há mais de oito meses. O tão esperado e sonhado reeencontro aconteceu ontem.

Almeida deixou sua terra, Fortaleza (CE), para tentar uma vida melhor em Bauru. O ganho mensal, no entanto, não era suficiente para ele visitar, periodicamente, a mulher e os três filhos – duas meninas de 14 e e 10 anos, e um menino, de 12. “A gente só se falava pelo telefone. Gastava três cartões por final de semana. Ficava caro, mas era a única maneira de matar a saudade”, desabafa, emocionado.

As dificuldades do porteiro não paravam por aí. Com o salário de R$ 500,00, pagava o aluguel da casa onde mora, de R$ 220,00, e outras despesas, como água e luz. O restante, mandava para a família. “Não me sobrava nada. A sorte é que eu ganho uma cesta básica, que me ajudou muito”, conta.

A mobília da casa foi conseguida através de doações de amigos. “Conhecidos meus me deram um fogão, uma geladeira e sofá. Só a televisão, que comprei fiado”. Apesar de todas as dificuldades, o mais difícil para Almeida era suportar a distância que o separava da família.

Para amenizar a tristeza causada pela saudade, o cearense procurava ficar fora de casa nos momentos de folga do trabalho. “Eu saía andar pela cidade para esquecer um pouco dessa dor que me dava, quando lembrava das crianças e da minha esposa. Procurava conversar com as pessoas e pensar que conseguiria reencontrá-los logo”.

Foram vários os momentos de fraquejo. Vontade de voltar para Fortaleza não faltou. Mas a idéia fixa de conseguir uma vida melhor em Bauru evitou que Almeida abandonasse o tão desejado e arquitetado projeto. “Aqui (em Bauru), eu sei que meus filhos terão uma escola melhor e uma saúde mais adequada. Por isso, quero lutar e crescer com eles aqui. Esse é o meu sonho, conseguir dar uma vida digna a eles”, enfatiza.

E se depender dos filhos e da mulher, eles só voltam para a terra natal para visitar os familiares. “Aqui tem escola melhor para os meninos. Eles têm mais futuro por aqui”, disse Lucilene, mulher do porteiro. A filha mais velha do casal, Daniele, 14 anos, concorda com a mãe. “A escola é boa em Bauru. Dá para aprender mais. Quero ficar para estudar”, disse, acanhada, a menina.

No momento, a preocupação da família é matar a saudade e começar a escrever uma nova história de vida, desta vez, juntos. A mulher e as crianças de Almeida vieram a Bauru com a ajuda da Prefeitura de Fortaleza e do SBT.