08 de julho de 2026
Cultura

Olha o trem!

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 5 min

Em um barracão cedido pela América Latina Logística (ALL), no prédio das antigas oficinas da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, funcionários da Secretaria Municipal de Cultura (SMC) davam os últimos retoques no vagão administrativo de 1949 na tarde de ontem. O carro sofreu algumas adaptações para se transformar em carro-passageiro, nos moldes dos utilizados como 1.ª classe na época, para atender à demanda da população saudosa dos trens.

O passeio inaugural será nesta manhã, às 10h, com saída do Museu Ferroviário, onde os passageiros farão uma visita monitorada. No destino, na Estação Bauru-Paulista, será explicado o funcionamento da máquina e, em seguida, a composição volta, ao ponto de partida. Entre ida e volta são cerca de 40 minutos de passeio.

Como não há mais vagas para o lançamento de hoje, um outro passeio direcionado a escolas e entidades já previamente agendadas pela SMC foi marcado para sexta-feira, dia 10. No sábado, a atividade será aberta ao público, com saídas previstas às 9h, às 10h, às 11h e às 12h.

As escolas e entidades interessadas em agendar a participação na sexta-feira devem procurar a SMC com requerimento com o número de pessoas e idade das mesmas. O público em geral deverá retirar os convites a partir das 8h30 deste sábado. Os organizadores avisam que o atendimento é por ordem de chegada. Mais informações: (14) 3235-1072.

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E o trem aumenta...

No passeio de trem, o vagão de passageiros de 1.ª classe integrará as outras composições ferroviárias restauradas pelo projeto “Ferrovia para Todos”, uma iniciativa que une poder público, ferroviários aposentados e iniciativa privada.

Entre 2001 e 2004, foram recuperados a locomotiva 278, de 1919, o carro de passageiros S-22, de 1943, e o carro-dormitório O-1, de 1932, que deve se aposentar da linha em breve. “Como o O-1 é um carro muito requintado, a idéia é deixar em exposição no futuro Museu da Imagem e Som (que deve funcionar na antiga Estação da extinta Companhia Paulista entre o final deste ano e o início de 2008)”, afirma o responsável pelo restauro, o diretor de pesquisa e documentação da SMC, Alex Gimenez Sanches.

Com o novo vagão, os lugares para os passeios gratuitos, realizados desde 2004 às sextas-feiras e aos sábados, vão aumentar de 65 para 100 passageiros. Sanches ainda avisa que, até o final do ano, duas novas composições devem se juntar à locomotiva: o carro bagagem/correio e o carro-restaurante.

Como o carro bagagem/correio, fabricado em 1941, foi queimado em setembro de 2004 durante um incêndio na área externa de um galpão situado na Vila Dutra, outro carro que iria para descarte está em processo de tombamento para ser restaurado.

O projeto, de R$ 40 mil, inclui a instalação de totens informatizados com a história do serviço postal brasileiro e deve ser concluído até setembro deste ano, numa parceria entre a Prefeitura e os Correios.

O restauro do carro-restaurante começou no início de 2006, mas os trabalhos foram interrompidos por questão de prioridade. “Trabalhamos com um orçamento apertado e tivemos que atender a necessidade de mais vagas para os passeios”, explica o diretor, que ainda vai precisar captar recursos para a obra, estimada em R$ 40 mil.

Outra novidade se refere à extensão do passeio. A idéia é que o trajeto atual, de aproximadamente 2 quilômetros, se estenda até o final do ano para 12 (seis quilômetros de ida e seis de volta) e vá até a antiga Triagem Paulista. “Temos condições de percorrer o trajeto, só falta a autorização da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres)”, diz Sanches.

Além dos carros utilizados para o passeio, o governo do Estado financiou a restauração de três carros, que foi supervisionada pela equipe da SMC. Hoje, os vagões são utilizados como livraria, cafeteria e sede da SMC na unidade de Bauru do Poupatempo.

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A restauração

Depois de aproximadamente oito meses de trabalho, a população poderá ter uma idéia de como eram as viagens em vagões de 1.ª classe realizadas pela Noroeste do Brasil na década de 40. O carro restaurado pelo projeto “Ferrovia para Todos”, de 1949, era utilizado para atividades administrativas.

“O carro, desativado há 13 anos, estava para ser enviado para a via de Sorocaba, para ser utilizado na soca, o que ia destruir o vagão. Fizemos uma negociação com a ALL e pedimos autorização à Rede Ferroviária S/A e ao Codepac (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural) para fazermos algumas intervenções”, diz o diretor de pesquisa e documentação da SMC, Alex Gimenez Sanches.

Com aproximadamente R$ 5 mil da prefeitura e do Conselho do Museu Ferroviário, Sanches e mais três funcionários da SMC retiraram as cabines e a cozinha do carro original e instalaram no lugar 26 poltronas estofadas, que vão acomodar 52 passageiros sentados.

Grande parte do madeiramento de cedro e peroba rosa estragado foi trocado por madeira de reflorestamento. A parte elétrica e hidráulica foi refeita e os vidros quebrados foram trocados por novos. O vagão ainda foi pintado, envernizado e impermeabilizado.

Por ordem do Codepac, apenas a parte externa não sofreu alterações, mas Sanches garante que o vagão ficou bem próximo aos de 1.ª classe utilizados na época. “Fizemos uma pesquisa para ser o mais fiel possível. Inclusive colocamos novos amortecedores para dar a suavidade dos vagões de 1.ª classe”, revela.

A adaptação de mais um carro de passageiros foi possível graças ao trabalho voluntário de alguns apaixonados por trem, como o pintor Benedito Lourenço de Mora, e por parcerias firmadas com as empresas ALL, Copical Tintas, Kol Impermeabilizante, Grupo Lwart, Estofaria Artesanal, Clube dos Diretores Lojistas de Bauru (CDL), SVL Comércio e Indústria de Serviços Ferroviários S/A e Santos Marcenaria.