Depois da apresentação triunfal do pianista cubano Roberto Fonseca, anteontem, o ministro Gilberto Gil (Cultura) teve dificuldade para conquistar a platéia do Festival de Jazz de Marciac, na França, que comemora sua 30.ª edição. O público, que se levantou para aplaudir no meio o espetáculo de Fonseca, era composto de quase 6 mil espectadores.
Após serem levados ao delírio por um pianista que se apresenta à frente de um quinteto de músicos, os ouvintes de Marciac receberam as primeiras canções do cantor e compositor brasileiro com frieza. Após ser louvado pelo apresentador como músico generoso, que estimula a gravação de seus shows para difusão na Internet, Gil entrou em cena de branco e mais magro, depois de um mês de maratona européia. Antes de cantar, defendeu a liberdade de circulação da criação artística e emendou com as músicas “Pela Internet” e “Banda Larga”. Depois, vieram sucessos como “Andar com Fé”, “Chiclete com Banana”, “Aquele Abraço” e “Vamos Fugir”.
Bob Marley foi homenageado com “Is this Love” e os Beatles, com a versão bilíngüe de “Be Back”, que, em português, virou “De Leve”. Ao fim das três primeiras canções, a platéia reagiu com gritos, dizendo que o som estava alto demais. Gil respondeu que não entendia e continuou a cantar com o som no mesmo volume.
Espectadores ouvidos após o show reclamaram do volume, que abafava a voz do cantor e “esmagava” o público. Jacques Gendre, habitué do festival, comparou o som de Gil ao de Joe Cocker, que se apresentara na véspera. “Essa música que se impõe pelo excesso de volume é totalitarista, não é uma música para ser partilhada, ela esmaga o ouvinte.”
Não foram poucos os que, como Gendre, partiram antes do fim do show. Perderam a melhor parte - no fim do espetáculo, Gil conquistou o público. O bis foi uma apoteose, com “Could You Be Loved” e “Toda Menina”. O show “Banda Larga” irá a SP, nos dias 16 e 17 de agosto, depois de passar pelo Rio, na sexta e no sábado.