Batata frita, hambúrguer, salgadinho, chocolate e sorvete. Que criança não gostaria de ter esse cardápio diariamente? Mas se esses alimentos, em excesso, são ‘vilões’ da saúde, imagine só para uma criança com colesterol. Para oferecer uma alimentação adequada, os pais dos pequenos que têm colesterol alto sabem: a família toda acaba fazendo dieta.
Com o aumento de casos, a cada dia essa realidade se estende a mais famílias. Tanto que há até data, o Dia Nacional de Combate ao Colesterol instituído em 2002 pelo governo federal, que é comemorado hoje. Na casa da cabeleireira Daniela Bertolino, 29 anos, estão abolidas as frituras e as guloseimas gordurosas. Ela descobriu, há menos de um ano, que sua filha caçula, Isabela, 6 anos, tem colesterol alto.
“Ela estava com dor de cabeça e mal estar. Fez alguns exames, inclusive de sangue, e ficou constatado que estava com colesterol alto”, conta. Na época, a família toda se assustou. O pai da menina também sofre da doença, mas desde a fase adulta. A primeira medida foi fazer uma reeducação alimentar. “Não existem mais refrigerantes, bolachas, salsicha e mortadela nos armários e geladeira. Agora tudo é light, até o leite”, conta Daniela.
A atitude da família, de cuidar da alimentação de todos os moradores da casa, é o mais indicado nesses casos. “A criança segue o exemplo dos pais e come os mesmos alimentos que eles”, explica a endocrinologista Cibele Cabogrosso. Mas nem sempre essa tarefa é fácil. Quando Thaise Amos Linhares, 9 anos, constatou que tinha colesterol, há pouco mais de um ano, provocou uma mudança nos hábitos alimentares de seus pais.
“Comia frango frito, salgadinho e bolacha”, lembra a menina. “Agora, como frutas e legumes”, garante. Mas o que era fácil de controlar no começo, ficou mais difícil com o passar do tempo. “Percebemos que não adianta proibir os alimentos. O melhor é controlar, mas sem exageros”, ensina a mãe da garota, Márcia Sueli Amos, 32 anos.
Agora, Thaise faz acompanhamento com uma nutricionista e pode comer três bolachas recheadas por semana e um pacote de salgadinho a cada 15 dias. “Foi melhor assim porque, mesmo não comprando esses alimentos em casa, ela dava um jeito de comer com os amigos”, conta a mãe.
Sem sintomas
O perigo é que, geralmente, a doença não dá sinais físicos, como no caso de Isabela. Sem sintomas aparentes, o paciente pode descobrir que está com o nível de colesterol alterado somente quando sofre um ataque cardíaco ou derrame cerebral. Por isso, a prevenção é tão importante, segundo os médicos. “Se houver caso de colesterol entre familiares, se a criança tiver uma alimentação ruim ou se for obesa, é importante que faça exame de sangue para verificar se tem colesterol alto”, orienta o endocrinologista Flávio Antonio Gerdulo Miano.
Quando o caso é constatado, além da alimentação sadia, é indicada a prática de exercícios físicos. “A criança tem que pular, brincar, correr, ou seja, tem que se mexer”, diz o médico. Se não se cuidar, o paciente que tem colesterol na infância tem mais riscos de desenvolver doenças cardiovasculares. “É como um cano de pia. A gordura passa, mas um dia entope”, compara Cabogrosso.
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Mortes no mundo
Números da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgados no site da Sociedade Brasileira de Cardiologia revelam que as doenças cardiovasculares – entre eles o enfarte e derrame cerebral - causam 17 milhões de mortes por ano em todo o mundo; no Brasil, a estimativa é de cerca de 300 mil. A pesquisa feita por universidades da Inglaterra e Suécia envolveu 1.547 pacientes e 700 médicos de 10 países, entre eles o Brasil.
Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, não está programada nenhuma atividade em comemoração a este dia em Bauru.
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Saiba mais
- O colesterol pode ser fabricado no fígado ou originado pelos vários alimentos consumidos. Ele aparece em dois tipos: o bom, HDL e o ruim, LDL. O nível elevado do LDL pode se acumular nas artérias causando, entre outras coisas, ataque cardíaco, derrame e enfarte, informa o site da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
- Já o colesterol HDL auxilia na produção de células e hormônios e não se acumula nas artérias.