09 de julho de 2026
Geral

Bancos da Praça das Cerejeiras revelam o passado: telefone com três dígitos

Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

A Praça das Cerejeiras, onde fica o Palácio das Cerejeiras, sede do Poder Executivo de Bauru, é um cenário rico em história. Os bancos da praça revelam o passado da cidade. Quem prestar atenção às mensagens talhadas nos assentos vai perceber que lá estão inscritos nomes de empresas, que não existem mais, que patrocinaram a construção dos bancos. Além dos nomes, um detalhe revela a idade da obra: os números dos telefones têm apenas três dígitos, sistema usado na década de 50.

As empresas com propaganda nos bancos encerraram as atividades - umas foram atropeladas pela concorrência de multinacionais e grandes atacadistas e outras não sobreviveram às mudanças de costumes – mas os bancos estão na praça com as inscrições perfeitamente legíveis. O Guaraná São Paulo, uma das empresas cujo nome está gravado no assento, é um dos exemplos. “O Guaraná São Paulo perdeu lugar para a Antarctica”, comenta o jornalista e historiador Luciano Dias Pires.

A Praça das Cerejeiras foi inaugurada em 18 de junho de 1958, em comemoração aos 50 anos da imigração japonesa, conforme está inscrito na placa fixada na área verde. O local foi reformado em 1974, quando a comunidade japonesa de Bauru e região colaborou para realizar um paisagismo oriental na praça.

O charuto deixou de ser símbolo de poder e a Charutaria Popeye, outra empresa cujo nome foi gravado no banco, não existe mais – a loja ficava na quadra 6 da rua 1 de Agosto, informa o anúncio no assento. A propaganda retrata o desenho do personagem Popeye e sua lata de espinafres que lhe davam força. O historiador Gabriel Pelegrina lembra-se de quando esse fumo era sinômino de status. “Getúlio Vargas também fumava, era chique. Nas confraternizações, após servir as comidas, os charutos eram oferecidos em bandejas”, recorda-se.

Pelegrina também lembra-se do proprietário da Charutaria Popeye, Luciano Santoro, que além de comerciante, foi radialista. “Ele era locutor na Bauru Rádio Clube. Teve até um concurso para descobrir quem estava tocando trombone na rádio, e era ele”, recorda-se.

Várias famílias da cidade e de fazendas da região faziam compras na Casa Polido, um armazém cuja propaganda até hoje está estampada nos bancos da Praça das Cerejeiras. Eram clientes do armazém inclusive Ermelindo Polido, 85 anos, sobrinho de João Polido, que era dono do estabelecimento. “Era um armazém muito grande, tinha torrefação de café e lenhadora. Naquele tempo, cozinhavam em fogão a lenha e o povo cortava árvores à vontade. Não tinha lei que proibisse”, lembra-se Polido, que na época tinha apenas 10 anos.

Com o crescimento dacidade, as empresas cujas propagandas estão inscritas no banco, desapareceram, como explica Dias Pires. “O comércio foi crescendo e começou a chegar gente de fora”. O Guaraná São Paulo era concorrente do guaraná King, mas a empresa fechou com o crescimento das multinacionais, explica ele, lembrando que a fábrica funcionava na Vila Seabra. “Do comércio daquela época, na rua Batista de Carvalho, por exemplo, apenas seis lojas sobreviveram”, observa.