A Polícia Civil localizou na tarde de ontem Nivaldo Rodrigues da Silva, 66 anos, motorista do caminhão envolvido no acidente da noite de anteontem, que resultou na morte de duas pessoas de Piratininga. A colisão aconteceu às 22h da quarta-feira, no quilômetro 241 mais 800 metros da rodovia SP 225, a Bauru-Ipaussu. Aos policiais, ele disse que não viu a motocicleta quando entravava no acesso ao Águas Virtuosas. Como não foi caracterizado o flagrante, e a prisão temporária não é cabível no caso, ele foi ouvido e responderá processo em liberdade. Os ocupantes da moto, Sônia Maria Venâncio, 42 anos, e seu genro Helder Mariano, 23 anos, morreram na hora.
De acordo com o delegado Dinair José da Silva, do 3º Distrito Policial (DP), assim que a ocorrência chegou na delegacia, os policiais do Setor de Investigações Gerais (SIG) passaram a percorrer alguns pontos da cidade procurando o proprietário do caminhão que possuía as características do veículo envolvido no acidente descritas pelas testemunhas.
Diligências foram feitas no Águas Virtuosas, em alguns bares e propriedades, até que as informações apontaram Nivaldo, motorista aposentado, como o condutor do caminhão. “Por volta das 15h de hoje (ontem) policiais foram até a residência dele, na Vila Ipiranga, e a sua esposa confirmou que ele tinha batido o caminhão”, conta Dinair. Rapidamente, Nivaldo foi localizado pela equipe da SIG e conduzido ao distrito.
O motorista, que ainda faz serviços de carreto com seu veículo, contou que estava voltando de Piratininga e ia a um bar do Águas Virtuosas assistir ao jogo de futebol que passava na TV noite de anteontem. Ele relatou que saiu para o acostamento, apagou os faróis do veículo para se certificar que não vinha nenhum carro pela pista, voltou a acender as luzes e só então cruzou a rodovia em direção ao bairro. Ele diz não ter visto a motocicleta. De acordo com o delegado, Nivaldo informou que a moto estava com os faróis apagados. “Quando estava quase terminando de passar, escutei uma batida. Fiquei com medo de parar”, argumenta o motorista.
Ele conta que como foi motorista profissional, conhece casos de pessoas que foram roubadas depois que pararam o veículo para checar algum barulho de batida e por isso resolveu não parar no local. “Eu fui assaltado até por pessoas que usavam farda para disfarçar”, diz.
O delegado reitera que todas as alegações de Nivaldo serão checadas no inquérito que já foi instaurado. A polícia ainda vai ouvir as testemunhas do caso. A Polícia Civil vai aguardar o resultado da perícia realizada no veículo e os laudos do Instituto de Criminalística para apurar a versão do motorista. Nivaldo já esteve envolvido em outros acidentes e a polícia vai averiguar a participação dele nestes casos. De acordo com Dinair, outras testemunhas também deverão ser ouvidas. Caso alguém tenha outra informação sobre o acidente, os telefones do 3º DP são (14) 3224-2622 e 3227-7434.
Enquanto Nivaldo prestava depoimento, as vítimas do acidente que envolveu o seu veículo eram enterradas em Piratininga. O funeral de Sônia e seu genro Helder foi realizado às 15h e comoveu a cidade. De acordo com Augusto Venâncio, sogro de Sônia, ela e o rapaz retornavam de Bauru - ela havia se submetido a exame no Hospital Estadual. “Eles estavam voltando quando foram mortos”, lamenta.
Helder era casado com Elisângela, filha de Sônia, há três anos e não tinham filhos. Já Sônia, que ficou viúva no início do ano, tinha outros três filhos e uma neta.