Bocaina - O desentendimento em Bocaina (69 quilômetros de Bauru) entre o servidor público municipal José Mário Carneiro Filho e o prefeito da cidade, João Francisco Bertoncello Danieletto (PV), resultou em um acordo firmado na última terça-feira, em audiência de conciliação na 2.ª Vara de Jaú. Danieletto se comprometeu a se retratar publicamente, em nota a ser divulgada em jornal impresso, por supostamente ter ofendido Carneiro, que é homossexual assumido.
Insatisfeito com a repercussão dos fatos nos últimos dias, Danieletto disse ontem que pretende anular o acordo firmado judicialmente em que se retrataria. “Diante das colocações dessa advogada e desse servidor público e da minha exposição pública para toda imprensa regional, vou conversar com nosso Jurídico para acabar com o acordo. Vou ver se é possível. Ele assumiu um acordo e não cumpriu com o acordo”, argumenta o prefeito. Caso consiga pôr fim ao acordo judicial, a ação criminal prossegue para avaliação da Justiça.
A ação criminal foi proposta por Carneiro no ano passado que alegou ter sido ofendido em público por Danieletto durante o Baile da Cidade, realizado no dia 28 de maio, no Nosso Clube em Bocaina.
O prefeito nega que tenha usado termos pejorativos ao se dirigir a Carneiro. Danieletto diz que mantém a versão de que pediu para que Carneiro saísse do local da festa: “Sai daqui, porque você envergonha nossa cidade da maneira que você se porta. Isso eu confirmo”.
Para o JC, a advogada Bruna Gimenes Christianini, representante de Carneiro, alega que houve a ofensa moral contra seu cliente, que diz ser homossexual assumido. “Carneiro estava dançando próximo à porta do salão e o prefeito chegou perto dele e disse ‘você é uma bichona, você envergonha a cidade e você não é digno de estar aqui’”.
Definidos os termos na audiência conciliatória entre as partes, a juíza Elaine Cristina Storino Leoni, da 2.ª Vara de Jaú, determinou o envio do acordo entre as partes para a homologação pelo Tribunal de Justiça. Prefeitos têm foro privilegiado para apreciações de ação.
Danieletto entende que há motivação política no caso. “Eu reconheço que é mais uma ação movida por motivação política diante das pessoas envolvidas. E diante da proximidade das eleições, isso vai se acirrar e estamos preparados para ter muitas outras ações”.
“Ele xingou meu cliente de bichona, falou outras coisas de baixíssimo calão e, por isso, entrei com a ação criminal contra ele. Não tem interesse político nessa história”, rebate Christianini. A advogada aguarda a publicação de retratação que deverá ser redigida pelo prefeito após homologação do TJ.