09 de julho de 2026
Geral

Dia dos Pais não é de festa para todos

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Dos idosos abrigados em dois asilos de Bauru, 30 são pais, mas nem todos irão comemorar o seu dia, nesse domingo. Poucos recebem a visita de seus filhos e não há festa programada. Na Sociedade Beneficente Cristã, onde moram 14 homens que são pais, apenas dois esperam passar a data na companhia de seus filhos, segundo a coordenadora do asilo, Luciana Aparecida Favio.

“Somente esses filhos visitam ou vêem buscar (os abrigados) para o almoço”, avalia. A situação não é diferente na Vila Vicentina – Abrigo para Idosos. “Para mim, não tem Dia dos Pais”, desabafa Alcido José Vicente, 71 anos, um dos 16 pais que moram no asilo. Apesar de ter quatro filhos que moram em Bauru, ele conta que nenhum o visita no asilo. “Eles não estão nem aí. Casaram-se e acabou”, diz. Ele vive há mais de dois anos no asilo, mas morou sozinho por 25 anos, tempo que diz não ter tido contato com seus filhos. “Nem ligo”, reage desviando o olhar.

Mesmo sentindo-se sozinho, Conrado Joaquim de Sousa, 82 anos, também morador da Vila Vicentina, não perde a fé em Deus. Ele não espera a visita de nenhum de seus oito filhos, mas não demonstra guardar ressentimentos. “Quero que Deus dê saúde para mim e para os meus filhos. Quero viver sossegado”, pede o aposentado que diz não ter notícias de seus filhos há 10 anos. “Vou levando a vida conforme Deus me dá. Se eles não vêem, não vou pedir também”, diz pensativo. “Parece que essa geração é diferente. Cada qual para si, Deus para todos”, completa.

Outra instituição por onde passam pais solitários é o Albergue Noturno do Centro Espírita Amor e Caridade. Neste domingo, o clima poderá ser de muita emoção, como relata o coordenador do albergue, Jorge de Souza Freires. “Nesse dia eles ficam muito mais sensíveis porque todos estão festejando e eles, não”, explica. Freires observa que os migrantes ficam atentos à TV da sala de espera do albergue, onde podem assistir aos comerciais e aos programas sobre o assunto. “Percebo que eles ficam ainda mais abalados com a TV, como se pensassem: ‘Eu estou aqui, pedindo um prato de comida e os outros pais estão ganhando presentes’. Isso é muito comovente”, completa.

O albergue promove no Dia dos Pais, desde a sua fundação, em 1982, uma apresentação do coral Amor e Luz em homenagem aos pais. Para esse ano, fazem parte do repertório as músicas “Em algum lugar do passado”, “Sapato velho”, “Quando te vi” e “As pastorinhas”. “Quem participa do coral tem que fazer um esforço para conseguir cantar. A emoção é muito grande”, lembra Freires, que é naipe de baixo no coral Amor e Luz.

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Motivos para alegria

Diferente dos seus colegas do asilo Vila Vicentina, José Medina, 66 anos, tem quatro filhos e motivos para festejar: ele espera passar o domingo dos pais juntos de seus filhos. “Eles virão sim, uh, certeza”, alegra-se. José diz que não se importa com os presentes e conta que o que quer ganhar tem um valor muito grande, apesar de não custar nada. “Não quero roupas porque eu já tenho bastante. Carinho já está bom demais”, pede.

Laurindo Santa Rosa, 74 anos, que também mora no Vicentina, tem quatro filhos, mas apenas um vive em Bauru, com quem costuma passar o Dia dos Pais. Ele considera essa data perfeita para matar a saudade. “Saudade a gente sempre tem”, confessa.